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Alto-comissário da ONU cobra resgate a pessoas, não só a bancos

O alto-comissário da ONU para refugiados, Antonio Guterres, defendeu na quarta-feira que o mundo se empenhe não só em salvar bancos da quebra, mas também em resgatar pessoas da pobreza e das guerras. Desde outubro, os EUA e outros países já gastaram centenas de bilhões de dólares na recuperação do sistema financeiro. Guterres lembrou que nesta semana, quando ele pediu 7 bilhões de dólares para ajudar 30 milhões de pessoas, Washington anunciou a injeção de 20 bilhões de dólares em um único banco, o Citigroup. "Não estou pedindo a mesma quantia para a ação humanitária que está sendo gasta, ou pelo menos sendo disponibilizada, para o resgate do sistema financeiro internacional", disse Guterres a jornalistas em Bagdá. "Mas pelo menos deveríamos ter o mesmo compromisso de resgatar pessoas que temos com o resgate do sistema financeiro, e resgatar o sistema financeiro é absolutamente necessário. É uma condição crucial para evitar uma depressão econômica que também terá implicações humanitárias dramáticas", acrescentou. Guterres realiza uma visita a funcionários da ONU que tentam criar condições para que os refugiados iraquianos voltem para suas casas, após anos de insurgência e violência entre xiitas e sunitas, depois da invasão norte-americana de 2003. O alto-comissário disse que o apelo lançado por ele em Abu Dhabi visa angariar 7 bilhões de dólares para que cerca de 360 agências da ONU e ONGs ajudem "os mais pobres entre os pobres, os mais vulneráveis dos vulneráveis" em 31 países. Essa cifra é muito inferior às verbas que estão sendo liberadas pelos EUA e outros governos para salvar instituições financeiras afetadas pela crise hipotecária norte-americana e para controlar a escassez de crédito. "Mas de fato acho importantíssimo chamar a atenção da comunidade internacional e dizer: olhe, conflito, mudança climática, miséria, tudo inter-relacionado, estão gerando cada vez mais situações de desastre humanitário. As necessidades de acampamentos humanitários não estão diminuindo, estão aumentando", afirmou. "Será imoral, quando há tantas forças devotadas --e precisam ser devotadas-- ao resgate do sistema financeiro, se não conseguirmos mobilizar as quantias muito menores que são exigidas para atender às necessidades humanas básicas."

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