Alto custo da matéria-prima preocupa indústria, aponta CNI

Assunto ganha importância entre dificuldades enfrentadas por empresários da indústria, segundo Sondagem

Renata Veríssimo, da Agência Estado,

28 de abril de 2008 | 12h50

O alto custo da matéria-prima ganhou importância entre as principais dificuldades enfrentadas pela indústria. Segundo a Sondagem Industrial do primeiro trimestre de 2008, divulgada nesta segunda-feira, 28, pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), essa preocupação passou a ser a terceira mais assinalada para todos os portes de empresas. Veja também:Produção e emprego na indústria sobem e contrariam tendência Segundo os dados da pesquisa, 29,1% das pequenas empresas apontaram que o alto custo da matéria-prima como principal problema enfrentado, porcentual que ficou em 30,2% nas médias indústrias e em 34,3% nas grandes companhias. De acordo com a CNI, o contínuo aumento dos preços internacionais das commodities pode ser uma das causas desse movimento. A Sondagem mostra que os setores que mais reclamaram do custo da matéria-prima são justamente os que dependem de commodities minerais (petróleo e aço) e de alimentos.  No setor de refino de petróleo, 42% das empresas reclamaram do problema. No setor de alimentos, 40% assinalaram essa questão, seguidos pelo setor de matérias plásticas (39%) e químico (34%).  O gerente da unidade de pesquisa da CNI, Renato Fonseca, avaliou que o elevado custo da matéria-prima pode ser repassado para os preços finais, cobrados do consumidor. Ele, no entanto, não acredita num repasse de preços generalizado porque, a seu ver, aqueles setores que enfrentam competição acirrada com os importados têm dificuldades para repor suas margens de lucro.  A elevada carga tributária continua liderando o ranking de principais problemas da indústria, apesar de ter perdido relevância no primeiro trimestre de 2008 na comparação com o quarto trimestre de 2007. O segundo maior problema apontado pela indústria foi a competição acirrada de mercado.  Embora o alto custo da matéria-prima esteja entre os principais problemas, as indústrias que pretendem aumentar a compra de matéria-prima nos próximos seis meses em função da expectativa de demanda aquecida e a inexistência de estoques.  Renato Fonseca alerta, no entanto, que a sondagem foi realizada antes da última reunião do Copom, que elevou a Selic em 0,50 ponto porcentual, para 11,75% ao ano. Segundo ele, a decisão do Banco Central significa a revisão de investimentos.  "As empresas estão pensando nisso agora. Se a decisão do BC vai travar a demanda ou só desacelerar o crescimento da economia", afirmou durante entrevista coletiva para comentar a Sondagem Industrial. Ele acredita que a decisão do Copom não deve ter afetado muito as expectativas nesse momento, mas alerta que, se o movimento se repetir, a decisão de investimento pode ser afetada.

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