Alto custo de financiamento torna vantajoso saque de aplicação para quitar dívida

Faltam R$ 37 mil (com taxa de 7% ao ano, mais seguros e outros encargos) para eu terminar de pagar meu financiamento imobiliário. Hoje, tenho uma aplicação do FGTS em ações da Petrobrás de cerca de R$ 45 mil. Financeiramente qual é a melhor opção: resgatar a aplicação e quitar o saldo ou manter a aplicação e continuar pagando as prestações mensais?

Fábio Gallo, O Estado de S.Paulo

25 de julho de 2011 | 00h00

A melhor opção é resgatar o investido na Petrobrás e quitar a dívida. Independentemente de qualquer outro cálculo nós sempre devemos quitar dívidas, pois usualmente o custo do financiamento é superior ao ganho da aplicação que tivermos. No seu caso particular, o custo da dívida, com base nos dados apresentados, está por volta de 3,11% ao mês. Ao passo que a manutenção do fundo de ações representa uma perda de 15% a 16% acumulada neste ano. De maneira direta, além de pagar juros de um lado, você está perdendo de outro. A manutenção do fundo de investimento vale a pena apenas para aqueles investidores que não precisam de liquidez e, ao mesmo tempo, tenham uma carteira de investimentos bem diversificada e possam esperar um prazo mais longo para o saque, evitando transformar o seu prejuízo econômico em financeiro. Explicando melhor: prejuízo econômico vem do fato de que as ações de sua carteira estão perdendo valor, mas por ora não afetam o seu bolso. Assim, quem tiver sangue frio e pude esperar, deve aguardar até a recuperação do valor do investimento. Prejuízo financeiro é quando você vende as suas ações na baixa. Neste caso, dizemos que estamos realizando o prejuízo econômico.

Tenho R$ 425.825,00 em CDB que rende diariamente R$ 154,00. Tenho R$ 395.878,00 em VGBL que, comparado com o CDB, durante três ou quatro meses rendeu pouquíssimo mais que o CDB. Enfim, gostaria de tirar metade do VGBL e colocar em outro tipo de investimento. O que acha?

Os planos das famílias VGBL ou PGBL, por se tratarem de produtos securitários em caso de morte do titular, têm a vantagem da transferência dos recursos para os beneficiários indicados na forma e condições do plano adquirido. Esta característica dos planos de previdência privada é uma das vantagens desses produtos. Quanto a tirar parte do VGBL, a minha orientação é para que você obtenha mais dados sobre seus investimentos e faça uma comparação um tanto rígida. Não dá para dizer muita coisa somente com os valores aplicados. Veja que a diferença entre os recursos é de aproximadamente R$ 30 mil e, mesmo assim, o VGBL está rendendo mais juros de maneira bruta. Para uma comparação de rentabilidade, você deve verificar as taxas de administração e carregamento do plano de previdência para fazer uma comparação de taxas líquidas. Não se esqueça de descontar o Imposto de Renda, considerando que o CDB tem incidência que vai de 22,5% (aplicações até 180 dias) até 15% (aplicações com mais de dois anos). No caso da previdência privada a incidência do Imposto de Renda vai de 35% (até dois anos) caindo para 10% (acima de 10 anos de investimento). Sendo que a diferença entre as duas famílias é que no caso do PGBL há o benefício tributário de desconto do IR a pagar do equivalente ao valor depositado com teto de 12% da receita bruta anual. Assim, no momento de recebimento dos benefícios, a tributação é incidente sobre todo o valor acumulado. O VGBL não goza desse benefício tributário anual ao longo do período de acumulação, mas quando do recebimento dos benefícios o IR é incidente somente sobre o ganho e não sobre a parte que você realizar de depósitos. Por exemplo, digamos que na hora do resgate valor acumulado ao longo de 20 anos seja de R$ 500 mil, pois você depositou R$ 300 mil e o rendimento foi de R$ 200 mil, no PGBL você irá pagar 10% IR sobre os R$ 500 mil e no VGBL a incidência tributária será somente sobre os R$ 200 mil, mas em compensação você não teve o beneficio tributário dos 12% de desconto da receita bruta anual.

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