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Alto executivo ligado a Madoff se declara culpado por fraudes

Fraude em esquema de pirâmide financeira lesou centenas de pessoas em 65 bilhões de dólares

Gabriel Bueno, da Agência Estado,

12 de agosto de 2009 | 11h26

Um importante executivo ligado a Bernard Madoff admitiu sua culpa em várias acusações de fraude, nesta última terça-feira, 11. Frank DiPascali Jr., de 52 anos, confessou diante de uma corte federal em Manhattan, Nova York, e foi imediatamente levado à prisão.

 

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Madoff foi condenado por operar um esquema de pirâmide financeira em uma fraude bilionária. Uma acusação da Securities and Exchange Commission (SEC, a Comissão de Valores Mobiliários dos EUA), oferecida nesta terça-feira, é a mais elaborada descrição feita até o momento das engrenagens da fraude, sobre como Madoff, DiPascali e outros trabalharam para não serem descobertos e como o negócio por fim entrou em colapso. O texto mostra como DiPascali, Madoff e seus aliados atuaram para convencer reguladores, investidores e mesmo visitantes do escritório de que estava havendo negócios, quando nada existia. "Era tudo falso; era tudo ficcional", confessou DiPascali na corte. "Era errado e eu sabia isso na época."

 

A confissão deve ser uma má notícia para outros investigados no caso, entre eles familiares de Madoff, empregados e alguns grandes investidores. DiPascali está cooperando com promotores do escritório da promotoria de Manhattan e pode apoiar evidências baseadas em documentos.

 

Os papeis sugerem que alguns dos principais investidores de Madoff sabiam da fraude, segundo pessoas ligadas ao caso. Nesta terça-feira, os promotores afirmaram, na denúncia oferecida, que o esquema incluía "coconspiradores" não nomeados, além de Madoff.

 

DiPascali pode pegar 125 anos de prisão, mas deve ter a pena diminuída, por cooperar. O veredicto pode demorar, já que nesses casos muitas vezes a sentença só é dada após a conclusão dos processos em que os réus testemunham.

 

DiPascali, que largou a faculdade, passou a integrar a companhia de Madoff em 1975, aos 18 anos, e tornou-se posteriormente um executivo importante, monitorando grande parte das operações cotidianas do negócio de aconselhamento de investimentos de Madoff. Muitos dos investidores da empresa lidavam pessoalmente com DiPascali.

 

O réu afirmou que acreditava trabalhar em uma empresa de prestígio e bem-sucedida em Wall Street. Porém percebeu, no fim dos anos 1980 ou início dos 1990, que não havia operações comerciais com o dinheiro dos clientes. Ele admitiu que ajudou a perpetuar as operações ilusórias, mentindo a clientes e criando falsos documentos deles. Também reconheceu que mentiu à SEC em 2006, sob juramento, por orientação de Madoff.

 

A boa fase da companhia foi abalada pela crise financeira de 2008. No verão (boreal) daquele ano, Madoff tinha em suas mãos o equivalente a US$ 5,5 bilhões, em uma conta no J.P. Morgan Chase. Porém conforme as ações e os mercados passavam por forte queda nos meses seguintes, os pedidos de resgate de valores passaram dos US$ 6 bilhões. Nos últimos dias da fraude, apenas algumas centenas de milhões de dólares sobraram, segundo a SEC.

 

Madoff, de 71 anos, cumpre 150 anos em uma prisão federal na Carolina do Norte, após declarar-se culpado em março. O esquema de pirâmide financeira (também chamado esquema Ponzi) lesou milhares de investidores, em bilhões de dólares. As informações são da Dow Jones.

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