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Alto executivo no Brasil já ganha mais do que nos EUA, aponta estudo

Levantamento aponta aumento maior de salários em emergentes do que em países desenvolvidos

Paula Adamo Idoeta, BBC

22 de novembro de 2012 | 16h22

Executivos brasileiros em cargos seniores de gerência já ganham, em média, 5% a mais do que seus pares americanos, em um cenário de expansão de salários em mercados emergentes, aponta estudo divulgado nesta quinta-feira.

Segundo o levantamento da consultoria Hay Group, entre 2001 e 2011, salários em cargos nesse nível (com bônus incluídos) aumentaram 2,8 vezes no Brasil, 3,5 vezes na China e três vezes na Indonésia.

Em comparação, no mesmo período esses salários cresceram 1,4 nos Estados Unidos, 1,7 na Grã-Bretanha e duplicaram na Europa Ocidental.

"Um grande fator nessa equação é o fluxo de investimentos de corporações globais em mercados emergentes, tentando se aproveitar de custos menores de produção e um mercado de consumo crescente", aponta o comunicado do Hay Group.

"Como resultado, cresce (o esforço) para atrair e reter talentos-chave em mercados emergentes - especialmente considerando que (esses talentos) são limitados."

Essa "limitação" se refere à falta de mão de obra especializada suficiente para suprir a demanda por executivos seniores em países emergentes. Outro fator importante para o alto nível salarial é o aumento do custo de vida em cidades que têm atraído investimentos, como São Paulo e Rio.

No caso do Brasil, existe, ainda, a dificuldade burocrática de atrair executivos estrangeiros para trabalhar aqui.

Salários crescentes

No Brasil, diz o Hay Group, os salários em alto nível gerencial eram, em média, de US$ 57,8 mil/ano em 2001, o que equivalia a cerca de metade do valor pago a executivos do mesmo nível nos Estados Unidos (US$ 112 mil/ano).

Hoje, porém, estão em média 5% maiores no Brasil (US$ 162,6 mil/ano, em média, em comparação com US$ 154,8 mil/ano nos Estados Unidos).

Outras consultorias de RH consultadas pela BBC Brasil observam tendências semelhantes.

"Percebemos isso claramente de dois anos para cá", afirma à BBC Brasil Marcelo de Lucca, da consultoria Michael Page. "Em alguns casos, executivos aqui no Brasil estão ganhando mais do que seus chefes no exterior."

"É desproporcional, e é difícil lidar com isso dentro das empresas, mas, se elas querem se posicionar no mercado, precisam desse executivo."

Em alguns casos, diz De Lucca, algumas empresas preferiram adiar a contratação ou enviar um estrangeiro para o cargo, "mas isso é exceção: em geral, elas preferem ter um brasileiro à frente (das operações no Brasil)."

O brasileiro Caio M., 39 anos, ilustra essa demanda por executivos brasileiros. Após dez anos trabalhando no exterior, na Europa e na Ásia, ele deixará o posto de diretor-financeiro global de uma empresa europeia para ser, a partir de janeiro, vice-presidente de relações com investidores de uma empresa brasileira.

Ganhará cerca de 40% a mais - talvez esse percentual chegue a 50%, se considerada a remuneração variável.

"Aqui (na Europa) há uma limitação de carreira, estou no máximo que poderia ter atingido. No Brasil, a possibilidade de evolução de carreira é maior", diz à BBC Brasil. "Além disso, o networking no Brasil é mais simples. Aqui, as redes já estão formadas há muito tempo, é mais difícil entrar."

Multinacionais 'surpresas'

De acordo com o levantamento do Hay Group, a China foi o país onde a remuneração de executivos mais aumentou proporcionalmente nos últimos dez anos: 247%, passando de US$ 35,6 mil/ano a US$ 123 mil/ano.

Outros países emergentes como Turquia, Emirados Árabes e África do Sul também têm pago salários mais altos a seus executivos.

Na África do Sul, os salários dos executivos equivaliam, em 2001, a 40% de seus pares americanos. Em 2011, porém, já eram praticamente iguais.

Para Nick Boulter, diretor-geral global do Hay Group, multinacionais estabelecidas já se acostumaram à alta salarial de seus executivos em países emergentes, mas "novas empresas globais estão surpresas" com os custos.

"Mas acho que a tendência é que em breve esses salários em nível gerencial sejam parecidos globalmente", opina Boulter à BBC Brasil. "Acho que se criará um padrão global, e a variação será o custo de vida em determinadas cidades."

A pesquisa do Hay Group avaliou executivos nacionais (brasileiros no Brasil e americanos nos Estados Unidos, por exemplo), com base em dados de 14 milhões de empregados em 20 mil empresas globais. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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