Altos salários de volta a Wall Street

Grandes bancos aumentam remuneração de executivos de primeiro escalão

Eric Dash e Susanne Craig, do New York Times,

23 de janeiro de 2011 | 23h00

O diretor executivo do Citigroup, Vikram S. Pandit, depois de quase dois anos recebendo apenas US$ 1 enquanto tentava colocar o banco de volta nos trilhos, deve receber US$ 1,75 milhão , segundo decisão do banco na sexta-feira. O Morgan Stanley anunciou uma parte da remuneração de James P. Gorman. No seu primeiro ano como diretor executivo, Gorman vai receber menos do que os US$ 15 milhões que levou para casa em 2009, quando era copresidente do banco, afirma fonte próxima.

Outros bancos de Wall Street - incluindo o Goldman Sachs e o Bank of America - ainda deverão divulgar os salários dos seus executivos do alto escalão. O JP Morgan Chase anunciou a remuneração de alguns executivos sênior, mas não aprovou ainda o pacote de benefícios para seu chairman e diretor executivo Jamie Dimon. Jamie deverá receber a mesma remuneração, ou talvez mais, do que os US$ 17,5 milhões de 2009, um dos mais altos salários entre os executivos de Wall Street. A decisão ainda não foi tomada. Mas o JPMorgan teve um ano excepcional - 2010 foi o ano mais lucrativo na história do banco - e quatro lugares tenentes de Jamie Dimon já foram recompensados com ações no valor de US$ 10 milhões cada um.

Dois anos após a crise financeira, os lucros contabilizados por Wall Street - e os grandes salários - parecem estar de volta. Mas o alvoroço público contra os generosos pacotes salariais pagos pelos bancos a seus executivos, mesmo depois de receberem ajuda financeira do governo, não se acalmou. Os bancos ainda procuram equilibrar a necessidade de atrair executivos e traders estrelados com as exigências dos órgãos reguladores para que seus programas de remuneração não criem risco excessivo. Mas passou um pouco a suscetibilidade dos legisladores e do público em geral, que ficaram irritados ao saber das remunerações generosas que estavam sendo pagas, enquanto muitos perdiam casas e empregos.

Ano bom

Considerando as bonificações anunciadas por diversos grandes bancos no início desta semana, fica claro que 2010 deve ter sido um ano muito bom - embora talvez não tão bom quanto o anterior. Diante de uma fiscalização maior por parte da sociedade e dos órgãos regulamentadores federais, desde a crise financeira, uma porção maior das bonificações é paga na forma de ações - aliás, em alguns casos, o pagamento em ações chegou a mais de 50% - com ênfase nas remunerações pagas a posteriori e adoção de políticas para recuperação de bonificações recebidas ilicitamente.

No geral, o que surpreende é a ampla variação dos pacotes salariais entre as gigantes do setor de bancos. Nas instituições mais fortes, a remuneração para os funcionários, em média, caiu drasticamente em relação a um ano atrás. No Goldman Sachs, por exemplo, os funcionários receberam, em média, US$ 398 mil em 2010, uma redução de 11% em comparação com 2009. Os banqueiros e traders estrelados de Wall Street ainda serão remunerados em bilhões de dólares.

Por outro lado, instituições mais frágeis aumentaram os pacotes de remuneração. No Morgan Stanley, por exemplo, os salários dos funcionários subiram 8%, em média, para US$ 257 mil. O Citigroup e o Bank of America reportaram aumentos de cerca de 3% e 10%, respectivamente.

Alguns analistas na área de salários suspeitam que esta divergência decorre, em parte, da necessidade de essas instituições com mais dificuldades oferecerem salários maiores para atrair e reter talentos.

Só US$ 1

O conselho de administração do Citigroup anunciou o aumento da remuneração de Vikram Pandit no ano passado, quando concedeu prêmios em ações para vários dos seus executivos do alto escalão e anunciou planos para restaurar o salário deles. Durante uma audiência no Congresso, em fevereiro de 2009, Pandit prometeu que aceitaria receber apenas US$ 1 até o banco voltar a ser lucrativo.

Na terça-feira, o Citigroup divulgou seu balanço de 2010: lucro pela primeira vez desde a eclosão da crise financeira. O chairman do Citigroup, Richard D. Parsons, afirmou que a diretoria está "muito satisfeita com o progresso da instituição" sob a liderança de Pandit e que ele mereceu o aumento. A direção do Citigroup também decidiu conceder a ele um número adicional de ações quando reexaminar sua remuneração para 201.

No JP Morgan Chase, Jes Staley, que chefia o banco de investimentos da companhia, foi recompensado com mais de US$ 14,5 milhões em ações e opções de ações, de acordo com a empresa de pesquisa de salários Equilar. Essa remuneração deve aumentar quando seu salário e bonificações forem anunciados.

Ina R. Drew, executiva de investimentos do banco, e Mary Callahan Erdoes, que chefia a divisão de gestão de ativos, receberam, cada uma, ações e opções de ações equivalentes a mais de US$ 11 milhões. Elas devem estar entre as mulheres mais bem pagas em Wall Street.

Na sexta-feira, a diretoria do Morgan Stanley recompensou James Gorman com ações e opções de ações num valor de US$ 7,4 milhões, ainda segundo a Equilar. Mas esta é apenas a parte em ações do pacote. A parte em dinheiro será anunciada no final deste ano. Morgan Stanley também anunciou o pagamento de mais de US$ 32 milhões em prêmios em ações para 10 executivos do seu alto escalão. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

 

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