Hélvio Romero|Estadão
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Márcia De Chiara, O Estado de S.Paulo

05 Junho 2016 | 05h01

A crise derrubou no último ano o aluguel de imóveis comerciais e o preço de compra e venda na cidade de São Paulo. Apesar da queda, a quantidade de lojas e escritórios vazios continua em níveis recordes. Esse quadro é visível para quem percorre as principais vias de comércio da capital paulista e se depara com inúmeras placas de aluga-se ou vende-se. 

Um indicador inédito, apurado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) em parceria com a Zap, mostra que, em 12 meses até maio, o valor pedido pelo metro quadrado do aluguel de salas comerciais caiu 9,1%. Para compra e venda, o recuo foi de 2,6%. Se for considerada a inflação do período, a queda no aluguel passa de 19% e para venda, vai a 12,5%.

“Com dois anos seguidos de queda do PIB, é natural que as empresas fechem as portas e que haja um excesso de oferta de imóveis para locação e venda”, diz o coordenador da pesquisa, Eduardo Zylberstajn.

Mesmo com esse recuo de preços, a quantidade de imóveis comerciais vagos se mantém em níveis elevados e aparece nos índices de vacância. No primeiro trimestre deste ano, 25,9% dos escritórios de alto padrão destinados a locação estavam vagos na cidade de São Paulo, segundo a Cushman & Wakefield, empresa especializada em administração desses imóveis.

“Esse indicador é um dos mais elevados dos últimos dez anos”, afirma André Germanos, executivo associado de mercado de capitais da Cushman. Apesar da menor oferta de novos escritórios, ele não acredita em recuos significativos nos índices de vacância de escritórios neste ano e no próximo.

O quadro é semelhante no caso das lojas de rua. Marcos Hirai, sócio-diretor da GS&BGH, calcula que entre 13% e 15% das lojas estejam vagas. “Esse índice é gritante. De um ano para cá, o quadro piorou e se estendeu para outros setores.”

Um ano depois de ter percorrido os principais corredores comerciais de São Paulo, o Estado voltou na semana passada aos seis imóveis vagos visitados na época. Apenas dois estão alugados e por um preço menor do que o pedido inicialmente.

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05 Junho 2016 | 05h00

Agora

O imóvel que fica na altura do número 3.000 da Avenida Rebouças, um dos principais corredores comerciais de São Paulo, continua vazio. Faz quase três anos que a loja com cerca de 3 mil metros quadrados, onde funcionava uma revenda de carros da Citroën, está à espera de uma proposta de compra. Os sinais do tempo de encalhe são evidentes: mais pichações no tapume que cerca o imóvel.

Um ano atrás, o preço pedido pelo Grupo SHC, do empresário Sergio Habib, dono do imóvel, era R$ 25 milhões, conforme informações fornecidas grupo ao Estado na época. Agora o SHC informa que o preço é R$ 24 milhões.

A empresa não dá detalhes se tem alguma proposta para compra do imóvel e se está mais flexível nas negociações. Mas, levando-se em conta o longo período que a loja está desocupada e a fraqueza do mercado imobiliário, especialistas do setor supõem que existe espaço para negociar.

O tombo nas vendas de veículos no mercado brasileiro, um dos primeiros setores a sentir a crise que agora atinge outros segmentos, foi o principal fator que levou o grupo a encerrar a atividade da loja. Na época, Eduardo Cambraia, diretor de expansão do grupo, afirmou que a operação nesse endereço não valia a pena porque os custos ficaram elevados.

No mês passado, por exemplo, o número de carros zero-quilômetro comercializados estava 21,2% abaixo do mesmo período do ano passado, apontam dados da Fenabrave.

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05 Junho 2016 | 05h00

Agora

 

Apesar de ter reduzido em cerca de um terço o preço do aluguel, o imóvel localizado na altura do número 2.700 da Avenida Rebouças, um dos principais corredores comerciais da capital paulista, continua vazio.

Um ano atrás, quando a reportagem esteve no imóvel de 320 metros quadrados (m²) erguido num terreno de 360 m², o preço pedido para venda era R$ 3 milhões. Para locação, R$ 15 mil mensais. Segundo o corretor da Camargo Prime Wagner Ponciano, responsável pelo imóvel, o aluguel baixou para R$ 10 mil, mas o valor pedido para venda foi mantido.

“Tivemos algumas propostas para locação, mas o dono do imóvel não aceitou porque faltava documentação”, conta o corretor. Ele explica que a maior dificuldade na locação é a apresentação do documento do seguro-fiança, no qual o inquilino deve depositar o equivalente a um mês e meio do valor do aluguel para obter sinal verde para fechar contrato. “Isso ninguém quer pagar.”

Com um mercado imobiliário com muitas ofertas, esse imóvel da Rebouças está vago há quase dois anos. O último inquilino foi uma empresa especializada em molduras, que ainda exibe o seu letreiro na fachada do imóvel. Um ano atrás, o antigo locatário optou por outro imóvel com aluguel mais barato.

Diante da dificuldade de fechar um novo contrato de aluguel, o corretor diz que há disposição para reduzir ainda mais o valor. “O preço pedido é R$ 10 mil, mas estuda-se proposta de R$ 8,5 mil”, afirma o corretor. Ele acredita que até julho consiga fechar negócio.

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05 Junho 2016 | 05h00

Agora

Faz quase três meses que o empresário Carlos Magno Vivaldi, dono do Quiosque Orgânico fechou contrato de locação de um imóvel de 205 metros quadrados distribuídos por três pavimentos na Avenida Sumaré, importante corredor comercial da zona oeste de São Paulo. 

Um ano atrás, quando a reportagem visitou o imóvel, ele estava vazio havia cinco meses. A proprietária pedia entre R$ 8,5 mil e R$ 9 mil de aluguel. Depois, reduziu para R$ 8 mil. Agora, acaba de fechar o contrato por um valor inferior a R$ 8 mil. “Estou pagando menos de que R$ 8 mil porque o Brasil mudou. O País está cem vezes pior do que um ano atrás.” 

O empresário explica que o contrato de locação só foi fechado porque o seu setor, o de alimentos orgânicos, está na contramão da crise. “O nosso mercado está crescendo 30% ao ano.”

Com três lojas na capital paulista, Vivaldi planeja abrir mais duas até o fim deste ano e conta que não encontra dificuldade para alugar novos imóveis. “Está fácil de negociar aluguel porque o Brasil está destruído.”

Nas novas lojas que pretende abrir, os aluguéis pedidos variam entre R$ 2 mil e R$ 5 mil, independentemente da metragem. “Todo mundo está desesperado”, observa, destacando que os proprietários de imóveis não pedem mais luvas, aquela quantia paga pelo ponto.

Mas o imóvel vizinho do Quiosque Orgânico continua vazio. A imobiliária responsável pela locação informa que faltam candidatos a inquilinos com a documentação exigida.

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05 Junho 2016 | 05h00

Agora

Dois meses atrás o imóvel localizado no número 453 da Rua Dr. Melo Alves, no bairro paulisano dos Jardins, estava vago. A loja foi desocupada pela terceira vez seguida por uma grife de moda. Dessa vez, tinha sido o estilista Pedro Lourenço.

Segundo Silvia Regina Neves, gerente da imobiliária Khondo, responsável pela locação, a grife Pedro Lourenço fez dois contratos de locação temporários de três meses cada. Ao fim do segundo, decidiu sair do imóvel.

Inicialmente, o preço pedido pela locação do imóvel de 140 metros quadrados era R$ 15 mil, depois recuou para R$ 12 mil, conforme informou ao Estado um ano atrás o proprietário da imobiliária, Hélio Katz. A última locação, de acordo com a imobiliária, teria ficado entre R$ 10 mil e R$ 11 mil.

Agora, o imóvel foi alugado por uma clínica de estética por cerca de R$ 10 mil, segundo a imobiliária. No momento, o imóvel está em reforma. “A expectativa é que a clínica seja aberta em agosto”, diz Silvia.

A corretora conta que a situação não está fácil para a locação comercial nos Jardins. Até as grifes de luxo estão cortando custos e buscando preços mais acessíveis de aluguéis para compatibilizarem as despesas à nova realidade das vendas.

No ano passado, quando a loja ficou vaga por oito meses antes de ser alugada para a grife Pedro Lourenço, a imobiliária chegou a apelar para uma mensagem inusitada, escrita em primeira pessoa, na tentativa de atrair clientes.

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