Aluguel caro faz loja fechar em SP

Custo compromete rentabilidade do negócio

MARINA GAZZONI, O Estado de S.Paulo

26 de maio de 2013 | 02h06

O aluguel mais caro já fez suas vítimas no varejo paulistano. Só na Rua Aspicuelta, um tradicional reduto de moda alternativa no bairro Vila Madalena, pelo menos quatro lojas - Maria Andrade, Antes de Paris, Anéis de Saturno e Maria Faceira - já fecharam as portas neste ano. A grife Maria Faceira, por exemplo, fechou em fevereiro, após dez anos na Vila Madalena, os últimos quatro deles no número 216 da Rua Aspicuelta. Segundo a proprietária, Cláudia Casimiro, o aumento do aluguel foi determinante para a decisão.

"Subiu muito e a rentabilidade do negócio ficou comprometida", disse Cláudia. Há quatro anos, o aluguel da casa custava cerca de R$ 3 mil, um preço que aumentou para cerca de R$ 5 mil neste ano, uma alta de 65%.

Segundo ela, o negócio só é rentável se o aluguel custar até 8% do faturamento. "A receita caiu cerca de 15% nos últimos dois anos, com um movimento menor de pedestres, e nesse período o aluguel ficou mais caro. A conta não fechou mais."

A empresária diz que vai tirar seis meses "sabáticos". Ela ainda não decidiu se volta ao mercado, mas diz que não abrirá outra loja-butique. "Esse modelo de lojinha está ultrapassado. Não dá para voltar ao mercado nessas condições."

O varejo têxtil não é o único a sofrer para pagar aluguéis cada vez mais caros. Restaurantes e casas noturnas também estão fechando as portas. O Studio SP, localizado na Baixa Augusta, encerrou suas atividades em maio - o custo do aluguel pesou na decisão, disseram os sócios.

Entrave. Nas grandes redes varejistas, a especulação imobiliária é o maior entrave para a expansão, disse Belmiro Gomes, presidente da rede de atacarejo Assaí, que pertence ao grupo Pão de Açúcar. No fim de 2011, o Assaí traçou como meta abrir 60 lojas até 2015, o que duplicaria seu tamanho atual. Em média, cada loja tem cerca de 13 mil metros quadrados de área construída.

Para viabilizar o projeto, o Assaí criou uma divisão na empresa dedicada a avaliar e negociar os pontos de venda. "Encontrar bons pontos é a maior dificuldade. Temos de olhar 20 terrenos para achar um que tenha preço e localização viável para a operação", disse Gomes.

Segundo ele, a disputa pelas áreas fez o preço do terreno dobrar entre 2008 e 2012. No entanto, ele sente que o fôlego da valorização imobiliária está chegando ao fim. "Está estabilizando", disse.

A empresa tem um modelo misto de expansão, com algumas lojas próprias e outras alugadas. Um dos trunfos do Assaí para negociar aluguéis é fazer contratos de longo prazo, de 20 anos, em média, renováveis por mais 20. "Ser um grande grupo ajuda. Para o proprietário, é renda garantida", disse Gomes.

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