Aluguel em queda reflete perda de poder aquisitivo

Os preços médios das locações residenciais em 11 cidades brasileiras caíram 0,67% entre junho e julho, 2,44% no ano e 5,23% em 12 meses, segundo o Índice FipeZap, baseado em anúncios publicados na internet. São valores nominais, ou seja, a queda real é muito maior – calculada em 12,84% –, refletindo um desequilíbrio entre oferta e demanda e favorecendo, neste caso, os novos inquilinos.

O Estado de S. Paulo

20 de agosto de 2016 | 03h14

Como os preços pedidos pelos imóveis caíram menos do que os das locações, a renda de aluguéis como proporção do investimento é decrescente. Em 2008, segundo o FipeZap, a renda nominal dos imóveis antes de impostos era da ordem de 8% ao ano, porcentual hoje estimado em 4,4% ao ano.

Entre junho e julho, a queda do valor dos aluguéis ocorreu nas 11 cidades pesquisadas, sendo menor em Belo Horizonte (0,29%), São Paulo (0,38%), Santos (0,4%) e no Recife (0,46%) e maior em Curitiba (1,18%), Rio de Janeiro (1,25%), Campinas (1,31%) e no Distrito Federal (1,65%).

Em 12 meses, a queda do valor dos aluguéis novos pedidos no Rio de Janeiro atingiu 9,35% – porcentual que quase dobra, em termos reais, levando-se em conta um IPCA de 8,74% no período.

O mercado de locações passou por forte transformação nos últimos 25 anos, desde a mudança da legislação que permitiu a retomada do imóvel pelo proprietário após o término do contrato. Cresceram a oferta de moradias e o mercado de locações. Os problemas decorrem de fatores como custos elevados e inquilinos sem condições de arcar com os aluguéis contratados.

O recuo do valor dos aluguéis é claro indício da recessão que provoca o enfraquecimento generalizado da demanda. Já a queda menos intensa em São Paulo é um indicador de que a atividade econômica na capital caiu menos do que em outras áreas pesquisadas.

Além disso, o menor valor de locações novas tem como efeito colateral estimular as negociações entre inquilinos e proprietários com vistas à redução dos aluguéis vigentes ou a não aplicação integral dos índices de correção previstos em contratos de locação antigos (em geral, o IGPM). Mas não há dados compilados sobre essas negociações.

Em tese, inquilinos em apuros por conta da perda de emprego e renda são levados a trocar imóveis por outros com menor valor de locação, apesar do ônus das mudanças e, às vezes, do alto custo da rescisão de contratos.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.