WERTHER SANTANA/ESTADÃO
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Aluguel residencial sobe 11 meses seguidos

Com a recuperação da economia e a queda dos juros, valor da locação aumenta 0,41% em outubro e acumula alta no ano de 4,27%, superando a inflação, aponta o Índice Fipe Zap

Márcia De Chiara, O Estado de S.Paulo

19 de novembro de 2019 | 04h00

Faz quase um ano que o valor do aluguel residencial de imóveis não para de subir no País, numa clara indicação de que a crise ficou para atrás no mercado imobiliário. No mês passado, o preço médio pedido para locação em 11 capitais aumentou 0,41%, aponta o Índice Fipe Zap. É quase o dobro da alta registrada no mês anterior (0,22%). O resultado também está muito acima do custo de vida, que caiu 0,10% em outubro, segundo o IPCA, o indicador oficial de inflação. 

No ano até outubro, o preço pedido para locação subiu 4,27%. Foi mais do que a inflação no mesmo período (2,60%), com ganho real de 1,63%. De 11 capitais pesquisadas, em  apenas três – Rio de Janeiro, Recife e Salvador – o aluguel neste ano subiu menos do que a inflação; nas demais houve ganho real.

“O aluguel residencial vem subindo há algum tempo”, observa o coordenador do indicador, Eduardo Zylberstajn. Mais precisamente são onze meses seguidos de alta. Ele explica que o preço da locação éum  indicador mais dinâmico e mais sensível às mudanças de rota do mercado. No o início da crise, o aluguel caiu primeiro do que o preço de compra e venda dos imóveis. Agora, na fase de retomada da economia, o valor do aluguel está subindo de forma mais vigorosa do que o preço de compra e venda.

Juro

Com o juro em queda, a rentabilidade das aplicações financeiras em renda fixa ficaram menos atraentes para os investidores. Eles começaram a enxergar nos imóveis uma alternativa melhor para a aplicação dos seus recursos. “O juro caiu e muitos investidores institucionais estão entrando para o mercado de locação”, diz Zylberstajn. Isso tem aquecido o setor, com a construção de novos edifícios, de propriedade de um único investidor, voltados só para locação.

O economista acredita que uma parte desse movimento de alta do aluguel se deve à realocação dos investimentos provocada pela queda do juro. Outro parte decorre da própria recuperação do ciclo econômico, com a retomada, ainda que gradual, do emprego e da renda. “A tendência é que os aluguéis continuem subindo”, diz Zylberstajn.

Apesar do aumento real no valor da locação, o coordenador do Índice Fipe Zap ressalta que os preços ainda estão abaixo dos valores pedidos em anos de forte crescimento da economia, entre 2010 e 2013. 

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