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Alvo de críticas, Wal-Mart melhora planos de saúde

Mesmo após mudanças, menos da metade dos empregados têm plano

Michael Bárbaro e Reed Abelson, THE NEW YORK TIMES, O Estadao de S.Paulo

14 de novembro de 2007 | 00h00

Durante grande parte da década passada, o nome do Wal-Mart ficou associado a planos de saúde miseráveis, da mesma forma que os preços baixos de seus produtos. Por todo o país, políticos e sindicatos criticavam os planos de saúde da empresa, pelo alto custo e a cobertura muita limitada. Os estados da Califórnia e Maryland chegaram até a aprovar leis exigindo, de fato, que a empresa investisse mais nos planos de saúde para seus empregados.A empresa, afinal, ouviu as críticas. Elas estavam afetando sua reputação e sua capacidade de expansão. Assim, após passar dois anos buscando orientação de todo o mundo, de Bill Clinton a executivos da Starbucks, o Wal-Mart está reformulando seus planos de saúde.De acordo com dados pela primeira vez disponíveis, a companhia está oferecendo uma melhor cobertura para um número maior de empregados. O Wal-Mart, o maior empregador dos EUA, oferece seguro-saúde para 100 mil empregados a mais do que há três anos. E agora ficou mais fácil para muitos funcionários serem inscritos no plano no Wal-Mart do que na rival Target, que tem uma reputação muito melhor.Contudo, o Wal-Mart ainda não é um líder dentro do mundo empresarial americano quando se trata de cobertura de saúde. A rede ainda cobre menos da metade dos seus 1,4 milhão de empregados nos EUA.Mas as mudanças conseguiram realizar o que antes parecia impossível: as críticas diminuíram. Andrew Stern, do sindicato Service Employees International Union, que há três anos chegou a criar um grupo de advogados para acionar o Wal-Mart, reconhece que agora "existe claramente um foco na cobertura de mais pessoas".Diante do histórico da empresa, de realizar cortes drásticos de preços e acabar com as incompetências, seu foco no fornecimento de um plano médico mais acessível também comporta uma promessa de redução do que se tornou um gasto descontrolado para o país. Num sinal do sucesso conseguido até agora, a empresa vai reduzir para US$ 4 por mês o preço de 2.400 remédios de prescrição genérica a seus empregados, a partir do próximo ano, programa que será oferecido também, embora de maneira mais limitada, para seus clientes.Agora, o Wal-Mart está pensando em vender remédios para perda de peso em suas 4.000 lojas e analisa a idéia de vender planos de seguro-saúde, esperando finalmente oferecer uma cobertura que esteja ao alcance de muitos americanos. Essa reviravolta da companhia prova o poder da pressão pública para mudar até mesmo grandes corporações.O que o Wal-Mart descobriu é que o coro de críticas, que por muito tempo ignorou ou retrucou, tinha um sentido. "Estávamos gastando muita energia e não conseguíamos avançar", disse Lee Scott, diretor-executivo da empresa. "Fazendo uma retrospectiva agora eu digo, sim, esse plano precisava ser aprimorado." Para uma empresa cujo lema é economizar cada centavo, as melhorias não vieram sem luta. Durante décadas, dezenas de milhares de empregados nunca tiveram direito a uma cobertura e a que era oferecida era muito cara para um empregado cuja média salarial é de cerca de US$ 20 mil por ano.

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