Tiago Teixeira/Estadão
Tiago Teixeira/Estadão

Alvo de medidas, juro do cartão de crédito sobe para 482,1% e bate recorde

Temer anunciou mudanças no rotativo, entre elas a transferência da dívida para o parcelado após um mês e a queda dos juros; taxa é a mais alta entre as avaliadas pelo BC, batendo até o cheque especial

Fabrício de Castro, Lu Aiko Otta e ALine Bronzati, O Estado de S.Paulo

23 Dezembro 2016 | 11h46

BRASÍLIA - O juro médio total cobrado no rotativo do cartão de crédito subiu 6,3 pontos porcentuais de outubro para novembro, informou o Banco Central nesta sexta-feira, 23. Com a alta na margem, a taxa passou de 475,8% ao ano em outubro para 482,1% ao ano em novembro. Esta é a maior taxa da série histórica do BC para o rotativo do cartão de crédito, iniciada em março de 2011.  

 

O juro do rotativo é a taxa mais elevada desse segmento e também a mais alta entre todas as avaliadas pelo BC, batendo até mesmo a do cheque especial. No caso do parcelado, ainda dentro de cartão de crédito, o juro caiu 1,1 ponto porcentual de outubro para novembro, passando de 156,1% ao ano para 155,0% ao ano. 

Ontem, o presidente Michel Temer e o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, confirmaram que as regras do crédito rotativo vão mudar. A intenção é fazer com que, após um mês no rotativo, o cliente tenha sua dívida automaticamente transferida para o parcelado, que possui taxas de juros menores. Temer ainda afirmou que os juros vão cair "pela metade" e que será possível parcelar dívidas em condições mais favoráveis em 2017.

O novo crédito rotativo deve ser regulamentado no início de janeiro, antes mesmo da próxima reunião do Conselho Monetário Nacional (CMN), que tradicionalmente ocorre na segunda quinzena do mês e dá mais tempo para a discussão sobre a redução do prazo para pagamento a lojistas. As mudanças, anunciadas pelo presidente Michel Temer e que visam a cortar ao menos pela metade os juros cobrados de quem atrasa ou não quita a fatura, devem entrar em vigor a partir de 1º de abril, dando um prazo de 90 dias para os bancos se adaptarem.

Na prática, o crédito rotativo passa a contar com um prazo limitado de até 30 dias, conforme antecipou a Coluna do Broad. Passado esse período, o valor em atraso será parcelado com juros menores. Enquanto no rotativo as taxas chegam a 475,8% ao ano, segundo o Banco Central, no parcelado vão a 156,1% ao ano. As faturas de abril que ficarem em atraso por mais de 30 dias, conforme explica uma fonte, já terão esse novo patamar de juro, que vai variar em cada banco. Tanto os novos quanto os antigos contratos seguirão as mesmas regras, considerando cada ciclo da fatura.

O elevado juro no rotativo sempre foi tido como uma "anomalia" do mercado brasileiro de cartões. Neste sentido, desde março último o segmento já estudava alterações no intuito de desestimular o seu uso. Como o item também estava na agenda do Banco Central, o que ocorreu, conta outra fonte, foi uma aceleração do fechamento dos novos parâmetros.

Queda. Na contramão da alta do rotativo, a taxa média de juros e o spread bancário (diferença entre o custo de captação e a taxa cobrada pelos bancos ao consumidor final) recuaram em novembro, pela primeira vez no ano, ao mesmo tempo em que a inadimplência também caiu a 5,8%, após ter passado os três meses anteriores em 5,9%, divulgou o Banco Central.

Em novembro, os juros médios caíram ligeiramente a 53,9% ao ano no segmento de recursos livres --em que as taxas são definidas livremente pelas instituições financeiras--, contra patamar recorde de 54,0 por cento cravado em outubro.

A redução ocorreu após o BC ter iniciado o atual ciclo de afrouxamento monetário, em meados de outubro. De lá para cá, reduziu a Selic por duas vezes, com cortes de 0,25 ponto percentual cada, para o atual patamar de 13,75%.

O BC informou ainda que o spread bancário foi a 41,8 pontos percentuais em novembro no segmento de recursos livres, ante recorde de 42,2 pontos em outubro.

Apesar do fraco cenário para financiamentos, marcado por cautela tanto por parte de bancos como dos consumidores em meio à profunda recessão econômica, o estoque total de crédito no Brasil subiu 0,3% em novembro sobre outubro, a R$ 3,104 trilhões, equivalente a 49,5% do Produto Interno Bruto (PIB). A última alta mensal havia ocorrido em maio./COM REUTERS

 

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