Amaral aumenta em US$ 500 milhões projeção da balança

O ministro do Desenvolvimento, Sérgio Amaral, acrescentou hoje mais US$ 500 milhões à projeção para o saldo da balança comercial em 2002. Ele disse que trabalha com superávit acumulado de US$ 8 bilhões - número informado pelo próprio presidente Fernando Henrique Cardoso na última sexta-feira - e de US$ 8,5 bilhões neste ano. "Estou tendo dificuldade em fazer previsões porque a cada duas semanas tenho que aumentá-las", disse, referindo-se aos bons resultados da balança que vêm sendo divulgados quinzenalmente pelo Ministério.De acordo com Amaral, o superávit previsto não contabiliza a devolução de 21 aeronaves da TAM aos proprietários estrangeiros anunciada ontem. A expectativa do mercado é que o embarque das aeronaves tenha um forte impacto positivo sobre a balança, já que elas deverão ser contabilizadas como exportações. Para Amaral, que participou de seminário na sede do BNDES sobre os 50 anos da instituição e do Banco do Nordeste, o superávit previsto deve-se a um conjunto de fatores como a desvalorização do real e o que chamou de "esforço organizado do governo e do setor privado para abrir novos mercados".Questionado se não é problemático o saldo estar fortemente vinculado à queda das importações, o ministro disse que "é verdade que esse saldo comercial em boa medida se deve à redução da demanda, mas aí o Brasil não está sozinho". Ele completou que "seria difícil imaginar que em um momento de queda do comércio internacional só o Brasil aumentasse as exportações de forma significativa". Segundo Amaral, o setor privado brasileiro está preparado para dar um salto exportador tão logo o mercado mundial volte a crescer.IntervençãoO ministro defendeu a participação do Estado na economia, primeiro em sua palestra e depois em entrevista coletiva. Mas segundo ele, essa intervenção deve ser feita "com transparência e respeito à competição". Amaral sugeriu que o próximo governo crie uma câmara de competitividade para articular ações de diferentes ministérios e agentes governamentais, numa política voltada para melhorar as condições de competição dos produtos brasileiros frente aos concorrentes internacionais.De acordo com o ministro, existe hoje no mundo globalizado um déficit de governança internacional que desafia órgãos como a Organização das Nações Unidas, o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional. Para ele, há hoje "regulação de menos" na área financeira e excesso de regulação na área comercial, elevando as barreiras de comércio.

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