Amaral confirma ampla abertura para a Argentina

O Brasil está trabalhando para eliminar todas as barreiras comerciais impostas à Argentina, disse o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Sérgio Amaral.Medidas nessa direção serão anunciadas pelo presidente Fernando Henrique Cardoso durante sua visita a Buenos Aires, nos próximos dias 17 e 18. É a forma encontrada pelo País para reafirmar sua solidariedade à Argentina e reforçar o Mercosul. Uma maior abertura comercial, porém, é uma via de mão dupla.O Brasil está disposto, por exemplo, a eliminar todas as salvaguardas aplicadas à Argentina, como a da importação de leite em pó. No entanto, tal medida seria adotada como parte de um esforço conjunto para "limpar a mesa" das diversas disputas comerciais existentes entre os dois países.Outra medida que vem sendo discutida no governo brasileiro é a possibilidade de acabar com os mecanismos do acordo automotivo que hoje garantem equilíbrio entre as importações e exportações de carros e de peças feitas pelos dois países. Estuda-se criar uma "margem de tolerância" de 50%, ou mesmo liberar o volume de exportações.Maior tolerânciaNo ano passado, o Brasil teve um déficit da ordem de US$ 500 milhões nas transações com a Argentina nesse setor. Teoricamente, uma margem de tolerância maior abriria mais espaço para as exportações do país vizinho.Porém, o raciocínio também vale no sentido contrário, ou seja, as empresas brasileiras estariam livres para ampliar suas vendas à Argentina. Por isso, a idéia enfrenta resistência pelo lado argentino.Na avaliação de Sérgio Amaral, as exportações brasileiras para o país vizinho estão próximas do piso: "Não têm muito mais como cair". Ele lembrou que o comércio caiu 19,74% no ano passado e a participação da Argentina na pauta exportadora brasileira chegou a 8,6%, enquanto no passado já foi de 13%.Amaral acredita que as vendas não cairão mais porque o Brasil é uma importante fonte de abastecimento para a Argentina.Sem pagamentosO comércio bilateral enfrenta ainda outro problema. "Mais do que redução nas exportações, estamos vivendo neste momento um travamento pela dificuldade na realização de pagamentos, na medida em que o sistema bancário na Argentina não voltou a funcionar normalmente", disse o ministro.Uma forma que vem sendo negociada para restabelecer o fluxo de pagamentos é a reativação do Convênio de Crédito Recíproco (CCR), uma câmara de compensação entre os bancos centrais da América Latina. Segundo explicou Amaral, o objetivo é aumentar o valor e alongar o prazo das operações abrigadas no CCR, o que ampliaria a gama de produtos exportáveis por esse mecanismo.No entanto, disse o ministro, é preciso que a Argentina também retire as limitações que impôs ao CCR. Segundo um diplomata brasileiro, a resistência dos vizinhos decorre do fato que um uso mais intensivo do CCR implicaria o governo assumir um maior volume de dívidas do setor privado.Isso porque no CCR as operações não são liquidadas entre as empresas, mas de banco central a banco central. Em outras palavras, o Banco Central argentino teria de assumir mais dívidas dos importadores de seu país.Caminho corretoSérgio Amaral reconhece que as dificuldades são muitas, mas avalia que a Argentina está no caminho correto. "Era muito difícil, nas condições que esse governo assumiu, ter conseguido resolver todos os problemas no curto prazo", disse o ministro.Ele acredita, porém, que as providências devidas estão sendo tomadas, embora haja muito trabalho pela frente."Tem que fazer um plano que seja mais consistente. É preciso que a comunidade financeira reaja de uma forma mais coordenada. Existem ainda desafios internos e externos mas as coisas hoje estão caminhando numa direção correta e, passado isso, não tenho dúvidas de que o Mercosul sai fortalecido", disse.Leia o especial

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