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Amaral diz que Alca é inconcebível sem abertura agrícola

Com o Senado dos Estados Unidos pronto a completar o processo de aprovação de uma nova Lei Agrícola ampliará subsídios e proteções por pelos menos mais seis anos, o ministro da Indústria, Comércio e Desenvolvimento, Sérgio Amaral, afirmou hoje que, para o Brasil, é "inconcebível" chegar a um acordo com a criação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca) com acordo com a União Européia ou concluir uma nova rodada global de liberalização na Organização Mundial de Comércio (OMC) que agricultura esteja no centro da pauta. "Não há condições de fazer um acordo sem agricultura porque a maior parte de nossa competitividade está nos produtos agrícolas", disse Amaral, ao dicursar hoje na trigésima segunda reunião anual do Conselho das Américas, no departamento de Estado. O ministro disse que a União Européia tem feito alguns "movimentos positivos" na agricultura "e espero que os Estados Unidos também o façam, pois, caso contrário, não haverá condições" para se chegar a um entendimento. Amaral lembrou que o Brasil está presente em todas mesas de negociação comercial e previu que, independentemente do desfecho das eleições presidenciais, o País continuará a participar. Segundo ele, as negociações são importantes não apenas porque o Brasil precisa remover barreiras protecionistas contra seus produtos. "As negociações são importantes também porque ajudarão a criar a pressão política interna sobre o Congresso em favor de uma reforma tributária necessária para aumentar a nossa competitividade internacional", disse ele. Politicamente, a posição do ministro da Indústria e Comércio baseia-se no fato de que "hoje, os Estados Unidos têm mais dificuldades do que o Brasil para discutir os problemas reais dos quais dependem as negociações comerciais". Não existe, portanto, nenhuma razão para o Brasil assumir o ônus político de um eventual fracasso das negociações, disse ele. A crescente dificuldade para a aprovação, este ano, da legislação fast track que autorizará o executivo americano iniciar novas negociações comerciais ilustram o argumento de Sérgio Amaral e acrescenta às restrições que a nova Farm Bill (lei agrícola americana) representa para qualquer tentativa de novos acordos. O discurso do representante brasileiro animou o debate ao final de um dia marcado pela cansativa repetição, pelo secretário de Estado Colin Powell e outros altos funcionários americanos, das posições conhecidas dos EUA em favor da liberalização comercial que encontra cada vez menos eco nas ações da administração Bush e do Congresso do país. "Se não houver como se chegar a um acordo em agricultura, o comércio deixará de representar o papel que ele tem a representar do ponto de vista do desenvolvimento e do combate à pobreza", disse Amaral. "O próprio conceito do desenvolvimento fica erodido: alguma coisa está errada com um sistema que faz com que uma chícara de café custe US$ 3 em Washington ou em Londres, quando US$ 3 é a renda líquida semanal de um produtor de café na Tanzania ou em Angola". O ministro afirmou que os EUA, a União Européia e o Japão usam hoje o protecionismo comercial para fazer as políticas industrial e substituição de importações que condena nas nações em desenvolvimento. Citou, entre outros exemplos, a política tarifária que transfomou a Alemanha e a Itália "exportadores de café sem nunca terem plantado um único pé de café".

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