Amaral quer reduzir barreiras no comércio com o Japão

O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Sérgio Amaral, manifestou hoje a um grupo de empresários japoneses seu desapontamento com o desempenho do comércio bilateral. Ele informou aos japoneses que mercados sem a mesma tradição de comércio com o Brasil, como a China e o México, estão tendo o mesmo desempenho que o Japão. As exportações para o Japão em 2001 atingiram US$ 1,9 bilhão. Segundo o ministro, elas somavam US$ 3 bilhões em 1997. "De lá para cá houve uma redução nas exportações. Em parte, por causa do desaquecimento da economia japonesa, mas não é só isso. Há restrições e barreiras fitossanitárias, principalmente a frutas e carnes brasileiras", disse o ministro. "Não se justifica o fato de as exportações serem tão pequenas." Amaral solicitou aos empresários que trabalhem pela retirada das barreiras. O ministro também afirmou que o Brasil continua interessado em negociar um acordo de livre comércio com o Japão. Mas explicou que o governo japonês não inicia nenhuma negociação bilateral sem a elaboração de um estudo sobre o mercado do país em questão e sobre o impacto da assinatura de um eventual acordo. Amaral acredita que a assinatura, em novembro, do convênio de cooperação com a Japan International Corporation Agency (Jica) é o primeiro passo para as negociações. A Jica fará o treinamento de técnicos do governo e empregados da iniciativa privada sobre como entrar nos canais de distribuição do Japão. Os empresários japoneses foram recebidos também pelo presidente Fernando Henrique Cardoso e pelos ministros do Planejamento, Guilherme Dias, e Minas e Energia, Francisco Gomide. Na comitiva, estavam presidentes de empresas como a Nippon Steel, Itochu, Mitsubishi e Mitsui. Álcool - Os empresários manifestaram o interesse em comprar álcool etanol do Brasil. Segundo Amaral, eles esperam que o governo japonês autorize a mistura de álcool em até 5% na gasolina. No entanto, os japoneses querem garantias de suprimento. A falta de garantias dos produtores de álcool também tem impedido a reativação do Programa do Álcool. "O setor privado vai ter de entender que está dentro do seu interesse dar esta garantia", disse Amaral. "Isso mostra como é fundamental que o setor aponte as garantias ou, então, o mercado externo não vai se abrir." O ministro acredita que o interesse japonês mostra que há uma "demanda potencial por álcool que está se materizalizando". Os empresários japoneses também manifestaram interesse em investir no setor de ferrovias e de energia térmica. Amaral disse que sugeriu ao Ministério do Planejamento e ao BNDES que organizem um seminário para março, quando a missão comercial japonesa voltará ao Brasil, para explicar os programas de investimentos de integração física da América do Sul, proporcionada pela construção do gasoduto Brasil-Bolívia.

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