Amarelo por fora, branco por dentro

"Os chineses me chamam de banana. Amarelo por fora e branco por dentro", conta Stefan Lee, presidente da Megatton. Filho de chineses, o empresário brasileiro comanda uma das maiores importadoras de máquinas do País.

Raquel Landim, O Estadao de S.Paulo

21 de março de 2010 | 00h00

Hoje, a colônia chinesa ainda tem uma participação importante no intercâmbio com a China, mas não é mais predominante.

Lee conta que sua origem ajuda nos negócios com o gigante asiático, mas não tanto como se imagina. "Não tenho dificuldade com a comida, por exemplo. É a comida da minha infância. Mas não falo o idioma."

O empresário sabe que não tem a mesma familiaridade do pai na hora de negociar com os chineses. Thomas Lee, fundador da companhia, nasceu em Ningbo, cidade próxima a Xangai.

O pai também não fala mandarim, porque aprendeu apenas o dialeto de sua cidade natal. Na China, existem muitos idiomas. "Meu pai negocia em inglês, mas sabe todos os costumes e conhece a maneira como pensam. Isso ajuda muito", conta Stephan.

A Megatton surgiu em 1991, comprando máquinas de Taiwan. Ao perceber a abertura da economia brasileira, Thomas começou a fazer contatos antes mesmo de o País liberar a importação de máquinas.

A empresa só começou a comprar máquinas da China em 2006. Os chineses se desenvolveram muito rápido em produtos como têxteis e calçados, mas demoraram mais nesse setor.

Atualmente, a Megatton importa mais de mil máquinas, divididas em seis categorias diferentes. A China é o principal fornecedor da empresa, respondendo por 30% do total. O restante é atendido por Taiwan (20%), Coreia do Sul (15%) e outras origens.

Stephan Lee assumiu a empresa há dois anos. Ele trabalhava num banco de investimentos, quando foi convocado pelo pai. "Ele me disse: ou você assume o negócio agora, ou nunca vai ser o dono", conta.

Hoje, o empresário brasileiro viaja para a China várias vezes ao ano, e recomenda muito cautela na hora de escolher os fornecedores. "É importante não ver só o os chineses que querem te mostrar, mas também questionar sobre tudo."

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