Amazon briga com oito países pelo domínio '.amazon'

Brasil e países da região amazônica enfrentam varejista na ICANN, órgão que regula criação de domínios na internet

LISANDRA PARAGUASSU/BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

11 de maio de 2013 | 02h07

A gigante do comércio online Amazon abriu uma guerra com os países da região amazônica, incluindo o Brasil. A companhia pediu o registro do domínio .amazon na Corporação da Internet para Designação de Nomes e Números (ICANN, na sigla em inglês) - empresa sem fins lucrativos que controla a criação de domínios na internet. Na última semana, os oito países da região soltaram um comunicado contra as intenções da empresa e o Brasil intensificou a pressão no conselho governamental do ICANN para impedir o registro.

O governo brasileiro já teve uma reunião com representantes da Amazon para tentar negociar um acordo. "Demos a opção de que eles registrassem .amazoninc, ou .amazoncompany, mas eles não aceitaram nenhuma alternativa", disse Benedicto Fonseca Filho, diretor do Departamento de Ciência e Tecnologia do Itamaraty.

O Brasil, junto com o Peru - outro único país da região que faz parte do conselho governamental da ICANN - passaram a pressionar, na última reunião, para que fosse aprovada uma recomendação de que regiões geográficas não pudessem ser nomes de domínio, mas não houve consenso.

"Essa não é uma preocupação apenas do Brasil. Há outras empresas que pediram o registro de domínios de regiões importantes. Mas não conseguimos o consenso. Ficamos no 'todos contra um'", contou o embaixador. O 'um contrário', no caso, são os Estados Unidos, onde está a maior parte das corporações que fizeram o pedido de novos domínios.

Interesse público. Mesmo se conseguissem aprovar a recomendação, não haveria garantias de que a ICANN a seguiria. O conselho de governos é apenas consultivo, não tem qualquer poder na direção da empresa. A esperança do governo brasileiro é conseguir convencer os representantes da sociedade civil na direção da empresa de que registros como esses não são de interesse público.

A justificativa é que, ao perder o nome de uma região para uma empresa privada, os governos desta determinada região estariam impedidos de usá-lo, por exemplo, para ações de defesa de meio ambiente, dos indígenas ou de proteção. "Nem nós sabemos ainda as consequências que isso teria, mas aponta para um privilégio no uso do nome. Criaria uma confusão. A preocupação do governo é garantir que não se perca a associação do nome com a região", explica Benedicto.

Há pelo menos mais quatro casos semelhantes. Uma empresa americana de roupas de esportes radicais pediu o registro do domínio .patagonia. Uma companhia hoteleira requisitou .shangrila, região chinesa, e outra, o registro de .spa, uma cidade na Bélgica. Também há casos semelhantes no Japão.

Existem, ainda, outros casos estranhos, como empresas que pediram o registro de palavras comuns, como .hotel, ou .tire (pneu em inglês). A própria Amazon pediu o registro de .book (livro), .song (canção) e .shop (loja), entre dezenas de outros.

Amazon. A gigante do e-commerce americano é recém-chegada ao mercado brasileiro. A empresa começou a operar no Brasil em dezembro, com uma operação limitada a livros digitais, os chamados e-books. Posteriormente, a empresa também começou a vender no País seu modelo de leitor digital (e-reader), o Kindle. Produtos das demais categorias ainda não estão disponíveis.

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