AMB: campanha contra planos de saúde

A Associação Brasileira de Medicina (AMB) e o Conselho Federal de Medicina lançaram ontem campanha nacional contra as operadoras de planos e seguros saúde. A guerra foi declarada com o objetivo de montar um dossiê sobre as irregularidades e a pressão que as empresas fazem sobre os médicos para solicitarem menos exames laboratoriais, reduzirem o número de consultas e também diminuírem o tempo de internação de pacientes que passam por cirurgias.A campanha com protestos com dizeres como "Chega de desrespeito. Examine seu plano de saúde e exija o tratamento que você merece. Tem plano que enfia a faca em você e tira sangue dos médicos" em revistas, jornais, outdoors e televisão a partir do dia 1º de outubro. Ontem, a AMB já deu o pontapé da campanha com o lançamento do disque denúncia 0800 616611. O presidente da AMB, Eleuses Vieira de Paiva, diz que pretende reunir milhares de denúncias de todo o Brasil e montar um dossiê contra as empresas de planos de saúde e encaminhar para a Agência Nacional Suplementar de Saúde e ao Ministério da Saúde. "Nosso objetivo é alertar a opinião pública e as autoridades sobre um problema grave que pode valer uma vida". As denúncias recebidas pela à AMB serão reunidas a outras 400 recebidas pela Associação Paulista de Medicina (APM).Restrição de serviçosAs principais reclamações dos médicos contra as operadoras dizem respeito à restrição de serviços. As operadoras estão chantageando os médicos. Quem não seguir as regras determinadas é punido com o descredenciamento do plano de saúde, interrompendo diversos tratamentos. As empresas impõem aos profissionais da medicina que recomendem menos exames, reduzam o número de consultas e diminuam o prazo de internação de pacientes que passaram por cirurgia, além de internar doentes em hospitais mais baratos e com menos recursos..Os médicos que cumprem à risca todos os elementos ditados pelas operadoras recebem bônus e o valor da consulta pode aumentar em até 20%. Mas os médicos que pedem exames, internação ou consulta acima de uma cota estabelecida sofrem redução nos seus honorários e, em caso de reincidência, pode ser descredenciado.Eleuses disse que conta com o apoio da população, pois os médicos estão cansados e querem exercer a profissão livremente. "As empresas fazem este jogo para não diminuir o seu lucro", ressaltou o presidente da AMB.

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