Ricado Gama/ESTADÃO
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Ambev elimina camarote no Rio; Petrópolis deve manter

Após 26 anos, marcas da fabricante deixarão de ter um espaço exclusivo na Marquês de Sapucaí

Fernando Scheller, Mônica Scaramuzzo, O Estado de S.Paulo

28 Novembro 2016 | 05h00

O camarote que dominou os sites e revistas de fofocas nos dias de folia, ao longo dos últimos 26 anos, deixará de existir. Na semana passada, a empresa Banco de Eventos, de José Victor Oliva, anunciou que a Ambev – dona das marcas Brahma e Antarctica, que davam nome ao espaço mais tradicional da Marquês de Sapucaí – havia decidido não fazer o investimento para ter um espaço próprio no Sambódromo do Rio de Janeiro.

Entre os motivos citados para a mudança está o fato de que as principais marcas de cerveja da Ambev adotaram suas próprias plataformas de música: a Skol ficou com a eletrônica, a Antarctica elegeu o samba de raiz e a Brahma, que durante 24 anos patrocinou o camarote do Sambódromo, migrou para o sertanejo. Além disso, apurou o Estado, houve a avaliação de que não valeria a pena manter um investimento tão alto, que gira em torno de R$ 8 milhões, para poucos dias de festa. Oficialmente, a Ambev disse apenas que a desistência reflete a evolução das marcas.

Ao abandonar a estratégia que ela mesma inaugurou, a Ambev corre o risco de ver uma concorrente levar adiante a tradição de “assinar” um camarote. A Petrópolis, dona da Itaipava, ficou satisfeita com os resultados do camarote na Sapucaí no ano passado. Segundo fontes, até o momento, a ideia é manter o investimento em 2017. “Já que a empresa usa o verão como tema de sua comunicação, faz sentido fechar a estação com o carnaval”, disse uma fonte do setor. Procurada, a Petrópolis não comentou o assunto.

Novo modelo. O Banco de Eventos, empresa que organiza o camarote da Ambev desde sua criação, não desistiu do espaço. O Camarote Número 1 vai voltar reeditado e com várias marcas dividindo o espaço. Segundo Márcio Esher, diretor-geral da empresa, a ideia é cotizar o camarote de forma a refletir o setor de atividade de cada patrocinador. O objetivo é seguir o modelo de camarotes do carnaval de Salvador e de eventos como Lollapalooza e Rock in Rio.

Lançado na semana passada, o Camarote Número 1 – referência tanto à posição na Marquês de Sapucaí quanto a uma campanha clássica da Brahma – já tem três patrocinadores fechados: Red Bull, Brahma e Água de Coco. As duas primeiras vão fornecer as bebidas que produzem para os presentes. Já a grife cearense de moda praia ficará responsável pela confecção das camisetas. Neste novo modelo, o investimento da Brahma será equivalente a uma fração do que normalmente era realizado pela companhia de bebidas. A marca terá, por consequência, uma cota de convidados mais reduzida.

A ideia de reduzir o investimento na Marquês de Sapucaí vinha sendo discutida dentro da Ambev havia alguns anos. A proposta inicial era descontinuar o camarote da Brahma em 2011, mas, em virtude da Copa do Mundo, o patrocínio foi estendido até 2014. Neste ano, a fabricante usou o espaço para a Antarctica, que é ligada ao samba, para comemorar datas como os cem anos da primeira gravação do ritmo. 

De acordo com o diretor do Banco de Eventos, não há cotas definidas de patrocínio para o Camarote Número 1 “repaginado”. O objetivo é estabelecer uma conversa “construtiva” com as marcas, para que elas se insiram no espaço de maneira natural, sem condições estabelecidas previamente. “Nossa meta é desenvolver iniciativas em conjunto”, disse Esher. “Poderemos, por exemplo, abrir um espaço para maquiagem para atrair uma empresa de cosméticos.”

Ingressos. O novo camarote Número 1 vai ter uma diferença fundamental em relação aos fechados por uma só marca. A exemplo do que ocorre em outros festivais e shows musicais, o espaço na Marquês de Sapucaí não ficará mais restrito somente a celebridades e convidados das companhias patrocinadoras. 

Quem quiser ficar frente a frente com famosos e ter acesso ao tratamento vip reservado a eles, poderá comprar ingressos que serão vendidos pelo site Ticket 360. Serão cem lugares para cada noite de desfiles – que acontecem no domingo e na segunda-feira de carnaval –, que serão vendidos por preços entre R$ 1.750 e R$ 2.250. Os demais 1,5 mil lugares serão reservados aos convidados – o número de convites a ser distribuído por cada marca dependerá da extensão do patrocínio.

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