Ambev: governo deve medir desaceleração econômica

O vice-presidente de Relações Corporativas da Ambev, Milton Seligman, afirmou que a empresa confia nas medidas adotadas pelo governo para combater a inflação e desacelerar o crescimento da economia, mas que é necessário que haja um acompanhamento dos efeitos.

SUZANA INHESTA, Agencia Estado

28 de junho de 2011 | 21h35

"Esperamos que o governo continue avaliando se a intensidade dessa desaceleração é correta. As medidas macroeconômicas estão na direção certa, confiamos no futuro do País, mas entendemos que essa avaliação quanto à intensidade tem que ser medida toda hora", disse. "Se não for, o desaquecimento pode, em alguns casos, provocar repercussões de longo prazo que são indesejáveis por todo mundo", acrescentou o executivo na cerimônia de premiação do Destaque Agência Estado Empresas 2011, relativo ao ranking de 2010, elaborado em parceria com a Economática.

A empresa está sentindo tanto os efeitos da desaceleração econômica quanto do aumento da tributação sobre as bebidas, anunciado em abril. "Essa combinação de fatores fez com que começássemos 2011 aquém de nossas expectativas", disse o vice-presidente financeiro e de relações com investidores da empresa, Nelson Jamel.

Entretanto, segundo ele, pensando na perspectiva de crescimento para 2012 e Copa do Mundo, a Ambev está mantendo seus investimentos para o ano. O montante previsto é de até R$ 2,5 bilhões, recorde na história da Ambev. "Continuamos acreditando em inovação, investimento, maior exposição de nossas ações ambientais, ao lado da permanente fixação de redução de custos", declarou. Um dos lançamentos previstos para o ano é a chegada da cerveja norte-americana Budweiser, prevista para o início do segundo semestre.

Com relação à estrutura atual de base do governo, com as recentes mudanças, a Ambev não acredita que haja um enfraquecimento da articulação política. "Entendemos que o governo tem uma articulação política clara. A presidente tem total liderança sobre o time e sobre o País. A sociedade continua confiando e nossa posição é objetiva: vamos fazer investimentos grandes, mas o que estamos fazendo comprova uma confiança muito grande no Brasil, e confiança no governo. Não sentimos sinal de fraqueza, de jeito nenhum", enfatizou Seligman.

Captações e emissões

O vice-presidente financeiro e de relações com investidores da Ambev disse que hoje não há interesse da companhia em captar recursos no mercado. "Estamos muito mais para pagadora de dividendos e na posição de forte geradora de caixa do que na posição de captarmos recursos", declarou. "Claro que estamos de olho nas oportunidades e não descartamos, de repente, fazermos uma operação financeira para reduzir custos da dívida, mas a posição mesmo é de geradora de caixa", acrescentou.

Sobre a elevação do rating de crédito corporativo pela Standard &Poor''s - a agência subiu a classificação da companhia de BBB+ para A-, dois graus acima da classificação atual do Brasil, Jamel disse que a decisão da agência mostra a solidez financeira e a capacidade futura da empresa.

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