AmBev investe em maltaria

Unidade em Passo Fundo receberá R$ 213 milhões

Sandra Hahn, O Estadao de S.Paulo

24 de junho de 2008 | 00h00

A AmBev confirmou ontem o investimento de R$ 213 milhões para colocar em operação, dentro de um ano, uma unidade para produção de malte em Passo Fundo (RS). A fábrica vai produzir inicialmente 110 mil toneladas e deve atingir a capacidade plena de 220 mil toneladas anuais em 2010, segundo o diretor de relações corporativas da companhia, Milton Seligman.Para abastecer a unidade, a companhia quer incentivar o aumento do plantio de cevada na região. O prefeito de Passo Fundo, Airton Dipp (PDT), estimou que a área cultivada deve aumentar 50 mil hectares na próxima safra. A cevada brasileira é produzida no Rio Grande do Sul e Paraná. Na safra atual, a Conab estima plantio de 46,3 mil hectares no Paraná e 49,5 mil hectares no Rio Grande do Sul, que precisará dobrar a área destinada ao cereal para atender à necessidade da maltaria. A produção dos dois Estados deve ser, respectivamente, de 142 mil e 114 mil toneladas na safra 2007/08. No Brasil, a AmBev produz malte em unidade própria apenas em Porto Alegre, onde tem capacidade para 120 mil toneladas anuais. A planta é abastecida por cevada colhida no Rio Grande do Sul e importada. Além disso, também tem maltarias próprias na Argentina e Uruguai, cuja capacidade instalada a AmBev não informou.Em vez de optar pela ampliação de suas unidades nos países vizinhos, a AmBev justificou a escolha do Rio Grande do Sul pelo fato de que a maior parte do mercado está no Brasil. A fábrica de Passo Fundo irá fornecer malte para unidades da AmBev que produzem cerveja no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e São Paulo. Conforme a AmBev, o crescimento do mercado, que foi de 5% no ano passado ante 2006, definiu a necessidade de investir na produção de malte.Embora tenha negociado dois incentivos fiscais combinados, a AmBev afirmou que as condições de logística definiram a localização do empreendimento. "Muito mais importante que qualquer incentivo é a malha logística", disse Seligman. Duas áreas selecionadas previamente para a fábrica têm acesso à rede ferroviária. O secretário-adjunto de Desenvolvimento e Assuntos Internacionais do Rio Grande do Sul, Josué Barbosa, disse que a empresa terá incentivo do programa Fundopem, que financia parte do ICMS adicionado pelo projeto por até oito anos. Ao mesmo tempo, contará com o programa Integrar, pelo qual é descontado parte do ICMS devido.

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