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Ambev paga US$ 1,24 bilhão pelo controle da cervejaria dominicana CND

Aquisição. Gigante brasileira das bebidas desembolsa US$ 1 bilhão por fatia da família León e mais US$ 237 milhões pela participação da rival holandesa Heineken no negócio - a concorrente tinha a preferência na compra, mas preferiu sair da empresa

FERNANDO SCHELLER, O Estado de S.Paulo

17 de abril de 2012 | 03h06

A gigante brasileira do setor de bebidas Ambev vai desembolsar US$ 1,24 bilhão para deter 51% da Cervecería Nacional Dominicana (CND), da República Dominicana, tornando-se líder no setor de cervejas no Caribe, com 42,7% do mercado. O negócio inclui a compra de participações da família León e da concorrente Heineken, que detinha fatia de 9,3% na CND e optou por sair do negócio, mesmo tendo a preferência na aquisição.

A Ambev pagou 13 vezes o Ebitda (lucro antes de impostos, juros e amortizações) projetado para a CND ao longo dos próximos 12 meses. No arranjo, a Ambev ficará com o controle do negócio, a Heineken deixará a sociedade e a família León se tornará sócia minoritária, com 41,6% de participação. Restarão cerca de 7,2% das ações pulverizadas nas mãos de diversos acionistas.

As negociações com a CND começaram há nove meses, de acordo com Nelson Jamel, diretor financeiro e de relações com investidores da Ambev. "A negociação durou quase um ano. Começamos a conversar em julho", diz o executivo. Embora o múltiplo de 13 vezes o Ebitda seja considerada alto em outros mercados, Jamel diz que o valor foi menor do que o pago em outras negócios do ramo cervejeiro. Conforme analistas, a japonesa Kirin pagou 16 vezes o Ebitda pela brasileira Schincariol.

Com o negócio, a Ambev passa a dominar mais de 90% do mercado dominicano de cerveja - mesmo assim, executivos da empresa garantiram a analistas que a aquisição não vai enfrentar oposição de órgãos regulatórios dominicanos. A CND tem quatro fábricas (duas na República Dominicana, uma em São Vicente e outra em Dominica) e é detentora da marca líder de cerveja no Caribe, a Presidente. Cerca de 15 milhões de litros do rótulo foram exportados para os Estados Unidos em 2011, para abastecer principalmente a colônia dominicana no país.

Oportunidade. A compra, no entanto, não pode ser considerada uma barganha. O analista sênior de alimentos, bebidas e tabaco do JP Morgan, Alan Alanis, diz que o Ebitda de US$ 190 milhões projetado pela Ambev depende da execução das sinergias previstas pela empresa (em 2011, a margem foi de US$ 130 milhões). Caso a economia seja menor do que a projetada pela Ambev, o analista assinala que o múltiplo a ser pago pela CND aumentará.

Para iniciar esse processo de "ambevização" da CND, o grupo escalou Alexandre Médicis como diretor-geral da operação, enquanto Franklin León continuará na presidência do negócio. Um dos focos de sinergia para a Ambev, explica Alanis, está na distribuição de refrigerante. Em 2004, a gigante brasileira comprou uma engarrafadora da Pepsi no país - a marca domina quase 50% das vendas do segmento na República Dominicana.

Sem a mesma presença em território dominicano, as principais concorrentes mundiais da Ambev - a britânica SAB Miller e a holandesa Heineken - não teriam os mesmos ganhos com a aquisição. "A Heineken, mesmo tendo a preferência no negócio, optou por sair e receber o mesmo múltiplo da família controladora. Nesse processo, reforçou o caixa em quase US$ 250 milhões", diz Alanis.

O conhecimento que a Ambev tem nas áreas de marketing e distribuição deve contribuir para o ganho de sinergias, na opinião de Chris Thornsberry, analista de bebidas da Raymond James. "A marca Presidente já é forte na região, o que reduz a necessidade de investimento nessa área", lembra o analista. "E a Ambev tem condições de trazer mais eficiência à CND, que é uma empresa de administração familiar."

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