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Com união entre AB InBev e SABMiller, Ambev pode expandir vendas no exterior

Subsidiária brasileira poderá explorar o grande portfólio de marcas da SABMiller nas regiões em que atua; no mercado local, porém, a Ambev deve ser pouco beneficiada

Dayanne Sousa , O Estado de S.Paulo

14 de outubro de 2015 | 02h02

Embora ainda faltem detalhes para uma avaliação mais precisa, o acordo entre as duas maiores cervejarias do mundo, a AB InBev e a SABMiller, anunciado nesta terça-feira, afastou um temor do mercado de que a subsidiária brasileira Ambev seria envolvida na operação, afetando negativamente os minoritários.

Mas, ainda que não participe da transação, a Ambev poderia se beneficiar do negócio. A companhia teria como explorar o grande portfólio de marcas da SABMiller nas regiões em que atua. Algo parecido ocorreu com a compra do Grupo Modelo, sediado no México e dono da marca Corona. A Ambev tem vendido a marca em vários países e, com isso, conseguiu aumentar suas vendas no Canadá.

No mercado brasileiro, porém, a Ambev deve ser pouco beneficiada. "A companhia já tem um portfólio muito grande e trazer algo novo talvez significaria perda de foco", diz um executivo do setor que pediu para não ser identificado.

No Brasil, a participação de mercado da SABMiller é pouco expressiva. Aqui, a companhia firmou em 2014 um acordo de produção e distribuição com o Grupo Petrópolis, dono da Itaipava. O acordo com a InBev deve pôr fim aos planos de produção e venda da marca Miller no mercado nacional, um impacto negativo para o Petrópolis.

A compra da SABMiller pela AB InBev ainda depende da aprovação de órgão reguladores. No Brasil, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) afirmou que ainda não foi notificado oficialmente sobre o negócio e que, por isso, ainda não vai se pronunciar. 

A ABInbev tem entre os seus acionistas os brasileiros Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira. Além da fabricante de bebidas, eles têm protagonizado, por meio de sua empresa de investimentos, o fundo 3G Capital, aquisições bilionárias, principalmente no setor de alimentos. A última delas ocorreu em março, quando a Heinz, que pertence ao 3G, incorporou a Kraft Foods, em um negócios de US$ 46 bilhões (leia mais abaixo).

Os negócios de Lemann, Sicupira e Telles

- Lojas Americanas

Um dos primeiros negócios que Jorge Paulo Lemann, Beto Sicupira e Marcel Telles fecharam juntos foi a compra do controle da rede varejista Lojas Americanas em 1982, quando ainda eram do Banco Garantia. A rede hoje tem quase mil lojas em todo o território brasileiro.

 

- B2W

Por meio da Lojas Americanas, o trio também controla a maior operação de varejo online do País. A B2W, que é dona do e-commerce das marcas Americanas, Submarino e Shoptime.

- AB InBev

O trio comprou a cervejaria Brahma em 1989 e, dez anos depois, adquiriu sua principal concorrente, a Antarctica, criando a maior cervejaria nacional, a Ambev, empresa hoje avaliada em R$ 293 bilhões, o maior entre as companhias brasileiras listadas na Bolsa de Valores de São Paulo. A próxima a ser adquirida foi a cervejaria belga Interbrew, e, posteriormente, a americana Anheuser-Busch, dona da Budweiser, negócios que criaram a AB InBev, uma empresa dona de mais de 200 marcas de cerveja. 

- Burger King

A segunda maior rede de fast-food dos Estados Unidos (atrás do McDonald’s) foi comprada pelo 3G Capital em 2010, por cerca de US$ 4 bilhões. No ano passado, o Burger King voltou à Bolsa de Nova York, com a venda de 29% de seu capital, numa operação que levantou US$ 1,4 bilhão.

- Heinz

Em parceria com a Berkshire Hathaway, empresa do investidor americano Warren Buffett, os brasileiros se tornam sócios da fabricante de catchup Heinz. O negócio, incluindo dívida, chegou a US$ 28 bilhões. Os brasileiros entraram com cerca de US$ 4 bilhões desse total, a mesma fatia de Buffett, mas serão os responsáveis por gerir a companhia.

- Tim Hortons

Em agosto do ano passado, o Burger King comprou a rede canadense de cafeterias Tim Hortons por US$ 11,5 bilhões. A união deu origem ao terceiro maior grupo de fast-food do mundo, atrás de McDonald's e da KFC, com 18 mil restaurantes em 100 países. O negócio provocou mal-estar nos EUA quando o Burger King anunciou a transferência da sua sede fiscal para o Canadá para pagar menos impostos.

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