Robson Fernandjes/AE
Robson Fernandjes/AE

Ambev vence Destaque AE Empresas

Companhia conseguiu, em 2010, ampliar participação de mercado e, ao mesmo tempo, manter preços que garantem boa rentabilidade

, O Estado de S.Paulo

29 de junho de 2011 | 00h00

Em um ano em que a economia brasileira cresceu 7,5%, a maior expansão desde 1986, e o emprego e a renda estiveram em alta, garantindo a inclusão das classes C e D no consumo, empresas focadas no mercado interno souberam aproveitar o momento favorável e obtiveram resultados acima dos setores tradicionais da economia.

Nesse cenário, companhias ligadas a comércio e serviços ganharam a atenção dos investidores e lideraram o topo da lista das premiadas pelo Destaque Agência Estado Empresas 2011, relativo ao ranking de 2010, elaborado com a Economática. Ontem, durante o evento, o diretor de Conteúdo do Grupo Estado, Ricardo Gandour, destacou que o prêmio é singular, pois leva em consideração fatores modernos de gestão e de governança.

A grande vencedora foi a Ambev, uma empresa brasileira com tamanho de multinacional, que tem seu foco nas classes C e D. Também se destacaram empresas ligadas ao varejo de vestuário e ao setor de serviços. Em comum, todas foram beneficiadas pela expansão do mercado interno.

A Ambev conseguiu, no ano passado, algo que nem sempre é possível nas empresas muito dependentes do consumo das classes C e D: manter sua ampla fatia nos mercados de cervejas e refrigerantes e, ao mesmo tempo, segurar os preços em um patamar considerado adequado pela companhia para permitir uma boa rentabilidade. As bases construídas em 2010 permitirão que a empresa enfrente agora as dificuldades previstas para este ano, com a alta dos impostos de bebidas e a política restritiva do governo, com contenção do crédito e alta dos juros.

Acompanhamento. O vice-presidente de relações corporativas da Ambev, Milton Seligman, afirmou ontem que a empresa confia nas medidas adotadas pelo governo para combater a inflação e desacelerar o crescimento da economia, mas que é necessário que haja um acompanhamento dos efeitos. "Esperamos que o governo continue avaliando se a intensidade dessa desaceleração é correta. As medidas macroeconômicas estão na direção certa, confiamos no futuro do País, mas entendemos que essa avaliação quanto à intensidade tem de ser medida toda hora. Se não for, o desaquecimento pode, em alguns casos, provocar repercussões de longo prazo que são indesejáveis por todo mundo", avaliou o executivo.

A empresa está sentindo tanto os efeitos da desaceleração econômica quanto do aumento da tributação sobre as bebidas, anunciado em abril. "Essa combinação de fatores fez com que começássemos 2011 aquém de nossas expectativas", disse o vice-presidente financeiro e de relações com investidores, Nelson Jamel.

Entretanto, segundo ele, pensando na perspectiva de crescimento para 2012 e Copa do Mundo, a Ambev está mantendo seus investimentos para o ano. O montante previsto é de até R$ 2,5 bilhões, recorde na história da Ambev. "Continuamos acreditando em inovação, investimento, maior exposição de nossas ações ambientais, ao lado da permanente fixação de redução de custos", declarou.

Resistência. Desde 2009, com o estouro da crise internacional no final do ano anterior, as empresas focadas no mercado interno têm se destacado na premiação da Agência Estado. Neste ano, em sua 11.ª edição, o ranking avaliou 205 empresas de capital aberto, com patrimônio líquido superior a R$ 10 milhões, com base em sete critérios que levam em conta risco, liquidez, retorno, além de indicadores fundamentalistas.

Pela metodologia adotada pelo prêmio, quanto menor a pontuação em cada um dos critérios, melhor a colocação da empresa. As dez primeiras colocadas receberam ontem à noite o prêmio Destaque AE Empresas.

Com base nesses critérios, o ranking mostra que o investidor no ano passado não quis ficar restrito apenas às ações mais líquidas e de grandes empresas, conhecidas como blue chips. Pelo contrário, buscou o ganho nos dividendos e no retorno de companhias que colhem os resultados do crescimento da economia brasileira.

As empresas tiveram um ano muito bom em 2010. Levantamento da Economática mostra que, descontada a inflação, as vendas das companhias de capital aberto cresceram, na mediana, 11,2% em 2010 em relação ao ano anterior. "É muito, principalmente porque agora percebemos um movimento de continuidade", disse Fernando Exel, presidente da Economática.

Nos períodos anteriores, em poucos anos houve crescimento de vendas e mesmo assim foram movimentos sem continuidade. "Só vimos números tão elevados em 1994, como resultado do Plano Real, e em 2000, após desvalorização do câmbio, mas foram dois picos, sem continuidade." Em 1994, a alta foi de 16,4%, em 2000 ficou em 11,6% e em 1992 em 10,5%. Em todos os demais anos da série ou houve retração ou o crescimento foi de apenas um dígito.

REAÇÕES

Alexandre Afrange

Presidente da Le Lis Blanc

"Estamos com três anos como empresa aberta e temos conseguido entregar os resultados prometidos. Vamos estudar isso (operações no exterior) em algum momento, mas atualmente não é nossa preocupação."

Nelson Jamel

Vice-presidente financeiro da Ambev

"Continuamos acreditando em inovação, investimento, maior exposição de nossas ações ambientais, ao lado da permanente fixação de redução de custos."

Paulo Borsatto

Diretor financeiro, administrativo e de relações com investidores da Marisa

"O nosso cliente não sente o efeito da alta das taxas de juros, mas é impactado por questões psicológicas, como os dados de confiança do consumidor."

Leonardo Senra

Diretor Financeiro e Relações com Investidores da Souza Cruz

"Acreditamos que o crescimento continuará de forma consistente, mas talvez não em taxas tão elevadas como vimos no ano passado."

Roberto Pedote

Vice-presidente de Finanças da Natura

"Este ano está um pouco mais fraco, mas ainda é prematuro fazermos previsões. O que sabemos é que historicamente o segmento é resistente a impactos econômicos."

Michel Temer

Vice-presidente

"O Brasil está no caminho certo, está crescendo com inclusão social. Há uma coincidência de dois temas: crescimento econômico e social. Houve um aumento da classe média que passou a consumir muito mais."

 

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