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Ambição global move executivos no Brasil

Lista das melhores empresas para líderes no País mostra valor das oportunidades externas

Fernando Scheller, O Estado de S.Paulo

24 de fevereiro de 2011 | 00h00

Afinal, o que os executivos querem? O perfil da lista das melhores empresas para líderes da consultoria internacional Hay Group mostra que as aspirações do alto escalão no Brasil são simples: metas claras, ofertas de treinamento e oportunidades internacionais. Por isso, o perfil das dez primeiras colocadas no ranking é formado por corporações estrangeiras e grupos brasileiros com atuação internacional.

A primeira colocada da lista é o conglomerado americano GE, seguida do grupo de mesma origem 3M e de duas das maiores companhias brasileiras, a Votorantim Industrial e a gigante de bebidas Ambev (veja lista das dez primeiras classificadas ao lado).

Segundo Glaucy Bocci, gerente do Hay Group e especialista em desenvolvimento de líderes, os brasileiros dão mais importância à remuneração do que os executivos de países desenvolvidos. O rendimento aparece em quarto lugar, atrás dos itens treinamento, projetos desafiadores e oportunidades internacionais. Por isso, o pacote financeiro oferecido pelas empresas costuma ser agressivo - a remuneração variável, baseada em metas, pode chegar a 20 salários. "No Brasil, a remuneração é o fator número quatro. No mundo, está em sétimo (e último) lugar."

Por conta da atuação global, os executivos que trabalham nas empresas mais bem colocadas no ranking têm a chance de flexibilizar a carreira sem trocar de empregador. A GE, por exemplo, atua em mais de uma dezena de setores no mundo - tecnologia, transporte, finanças, etc. -, o que aumenta as chances de o funcionário exercer um cargo no exterior. Para a diretora de desenvolvimento organizacional da GE para a América Latina, Sandra Rodrigues, a carreira "in company" permite uma mudança de horizontes sem choque cultural. "Nossos valores básicos se aplicam a todos os negócios."

A executiva da GE conta que, à medida que a disputa por talentos no Brasil se acirra, a empresa aumenta a oferta de treinamentos para lideranças. O País já estava incluído nos projetos básicos, mas agora entra no radar dos programas para o alto escalão. Para dar conta das necessidades locais de crescimento, a empresa importou da China uma ferramenta que acelera a preparação de executivos. Um treinamento dedicado à formação de potenciais CEOs da companhia, instituído no ano passado, terá pouco mais de 60 vagas ao redor do mundo - e Sandra afirma que haverá brasileiros neste grupo.

Outro fator apontado como essencial por funcionários de nível gerencial e de diretoria é a transparência de metas e avaliações. O diretor de RH da 3M no Brasil, José Fernando do Valle, diz que todos os 4 mil funcionários da empresa no País passam por pelo menos uma avaliação anual de desempenho. "A partir disso, podemos identificar os potenciais líderes", explica. "Quem tem os melhores atributos, participa dos processos seletivos para as oportunidades que surgirem."

Olho do dono. Nos grupos nacionais, uma forma de o líder conquistar a confiança do empregador é tratar o negócio como próprio. Na Ambev, conhecida pelo sistema de metas recompensado por uma agressiva remuneração variável, o funcionário é incentivado a pensar como proprietário. "O que a gente passa para as pessoas é que elas precisam tratar o negócio como se fosse delas. A gente é a empresa, é o trabalho", afirma Sandro Bassili, vice-presidente de gente e gestão da Ambev.

O executivo diz que a fama de "máquina de moer gente" da Ambev é injustificada. "A carga horária é próxima (da praticada em outras multinacionais). E os funcionários são envolvidos porque são recompensados como donos", explica. Bassili lembra que a maior parte dos vice-presidentes está no grupo há pelo menos uma década. "Eu, por exemplo, estou na Ambev há 20 anos."

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