Ambientalistas lamentam compromisso climático 'patético' do G8

Ambientalistas criticaram na terça-feiraos líderes dos países desenvolvidos por supostamente seesquivarem de suas responsabilidades nas discussões climáticasda cúpula do G8. Para a entidade WWF, a falta de progressos noevento foi "patética". "O G8 é responsável por 62 por cento do dióxido de carbonoacumulado na atmosfera terrestre, o que faz dele o principalculpado pela mudança climática e a maior parte do problema",disse a WWF em resposta ao comunicado do grupo sobre a questãoclimática. "O WWF considera patético que eles ainda se esquivem de suaresponsabilidade histórica", acrescentou a nota. Horas antes, os líderes dos oito países industrializadosmais ricos haviam declarado no Japão sua intenção de trabalharcom os quase 200 países da ONU na preparação de um tratado queleve a uma redução de 50 por cento nas emissões de carbono até2050. O G8 disse também que seria necessário adotar metasintermediárias -- como a que foi proposta pela União Européia,de reduzir as emissões até 2020 para pelo menos 20 por centoabaixo dos níveis de 1990. Líderes disseram que esse compromisso do G8 representa umavanço. "Em Heiligendamm [Alemanha, local da última cúpula], sóseis países recomendavam uma meta global de 50 por cento [deredução] dos gases do efeito estufa até 2050," disse CarolynOlsen, porta-voz do governo canadense. "Agora, todos os países do G8 estão pedindo ao mundo queadote a meta de 50 por cento até 2050, e propuseram metasintermediárias ambiciosas para todos os países do G8 econtribuições significativas de todas as grandes economias.Trata-se de um importante progresso em relação ao ano passado." Mas ativistas criticaram a falta de compromisso com asmetas intermediárias e disseram que a meta de 2050 éinsuficiente, porque muitos cientistas dizem que serianecessário reduzir as emissões a menos de metade dos níveisatuais para evitar catástrofes climáticas. "Trata-se de um completo fracasso de responsabilidade. Elesnão avançaram nada. Esquivaram-se da responsabilidade de adotarmetas intermediárias claras, e mesmo a meta de 2050 não é nadaalém do que conseguimos em Heiligendamm", disse Daniel Mittler,consultor político da ONG Greenpeace Internacional. "Agora já se passou um ano desde Heiligendamm, quando elesprometeram uma ação rápida e decisiva e todos vieram com um'sim, vamos discutir isso na ONU'. Isso simplesmente nãobasta", afirmou o ativista à Reuters. "Isso é apenas o resultado de um homem do petróleoimpedindo pela última vez o mundo de avançar, e a única boanotícia é que esta será a última cúpula do G8 do [presidentedos EUA, George W.] Bush." (Reportagem de William Schomberg e David Fogarty)

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