Ambiente externo pode mudar metas de inflação

Para que o crescimento econômico brasileiro possa ganhar impulso é preciso que o ambiente externo melhore, o que não é esperado para os próximos meses e pode influir na decisão esperada para hoje do Conselho Monetário Nacional em relação às metas de inflação. Essa é a avaliação do economista William Eid, da FGV-SP, feita em entrevista no programa Conta Corrente, da Globo News. Para ele, se as metas forem mantidas em termos muito estritos (a meta para 2004 é de 3,75% podendo chegar até 6%), o País ficará sem meios para manobrar sua política monetária . "Se nós elevarmos essa meta para alguma coisa um pouco mais real, qualquer choque que vier do exterior vai poder ter uma resposta interna. Na atual situação, nós não temos essa condição", justificou.O saldo da balançaO economista da FGV chamou a atenção para o fato de que o aumento das exportações brasileiras (superávit de 9,6 bilhões de dólares, segundo os dados divulgados nesta segunda-feira) se deveu fundamentalmente à desvalorização cambial, ocorrida a partir de agosto-setembro de 2002, e não como sinal de que o ambiente externo está favorável para as vendas brasileiras. Acrescentou que, com a reversão dessa desvalorização, é de se esperar que a partir do segundo trimestre deste ano haja uma estabilização, ou mesmo redução, nas exportações. E explicou: "Contratos de exportação não se negociam do dia para a noite, eles levam meses. Você faz um contrato numa taxa favorável e o reflexo disso vem seis meses depois. Neste momento, com o câmbio a R$ 2,86/R$ 2,90, nós não temos esse ambiente favorável para as exportações."Menos importaçõesPor outro lado, William Eid lembrou que as importações cresceram muito pouco, apenas 5% no período mencionado. Ou seja, para exportar mais, o País precisa importar mais. Para ele, o pequeno crescimento nas importações se explica pelo fato de que, na economia interna, está ocorrendo uma recessão razoavelmente grande. "Se nós reduzirmos agora a taxa de juros, se aumentarmos as metas de inflação e permitirmos o crescimento, é de se esperar uma reversão nessa curva, com o maior crescimento das importações, até porque o consumo interno vai forçar a isso e a uma redução nas exportações."FHC e LulaSobre as declarações feitas ontem em Londres pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, de concordância com a política econômica de seu sucessor, Eid as considerou normais, já que até agora não houve mudanças significativas na que vinha sendo adotada por seu governo. O economista discordou da avaliação que foi feita em relação às declarações anteriores de FHC (em entrevista divulgada no site do PSDB), pois não viu nelas qualquer intenção de criticar o governo Lula. "O que ele falou (naquela oportunidade) foi que ninguém estava fazendo nada de diferente. E nisso ele tinha uma razoável razão."

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