Ambiente global está difícil, em especial para o Brasil, diz Fraga

O presidente do Banco Central, Armínio Fraga, disse hoje, em seminário na Câmara de Comércio Brasil-EUA, que o ambiente financeiro global está muito difícil, em particular para o Brasil. "Somos vistos como um elo fraco", afirmou. No entanto, Fraga disse que mesmo assim o fluxo de capitais para o País, especialmente de investimento direto estrangeiro, "ainda parece OK".Segundo ele, o Brasil ainda tem um fluxo de investimento direto razoável e não há saída expressiva de capitais do País. "O fluxo de FDI no segundo semestre deste ano deve cair por causa do ambiente financeiro mundial, mas ainda será um volume razoável. Não vejo sinais de que esteja havendo grande saída de capital do Brasil." Segundo ele, o fluxo financeiro no último mês foi negativo em US$ 100 milhões.ExtensãoFraga admitiu que há uma possibilidade real de que seja assinado um acordo de extensão do programa com o Fundo Monetário Internacional (FMI), entre a data final das eleições e a posse do novo presidente. "Vejo todas as possibilidades em aberto, tudo depende de fatores, de oportunidades, de circunstâncias, mas diria que sim, que há uma possibilidade real", afirmou. Ele disse que não saiu da sua visita a Washington com nada específico ou detalhado. "Foi mais uma discussão geral", afirmou, logo após participar de palestra organizada pela Câmara de Comércio Brasil-EUA. "Existem várias opções em discussão. Modelos de prazos mais longos, de prazos mais curtos, valor maior, valor menor, com contingências maiores e menores. É uma questão de ver o que o debate interno do Brasil produz. E aí, então, tomaríamos o caminho", afirmou. Fraga disse também que o Fundo não está esperando nada do Brasil para firmar um acordo. "Depende de nós. Temos um programa, temos condições de administrar a situação e estamos só pensando para prevenir. É melhor prevenir do que remediar", afirmou. Fraga ainda explicou que tudo vai depender de políticas econômicas. "O importante para o FMI são as políticas que o País adotará", afirmou. DiálogoSegundo ele, o caminho passa por uma base saudável de política econômica. "Essa base está em discussão. E eu vejo como muito positivos os sinais que têm surgido ultimamente. A partir daí, pode aparecer um diálogo interno produtivo e apoio externo, que eu já senti que existe. Se seguirmos um caminho do bom senso, vamos ter todo o apoio externo", disse. De acordo com Fraga, quando, como e quanto será, somente o tempo poderá dizer. "No momento temos tido apenas discussões gerais", afirmou. Fraga diz que vê apoio tanto do FMI quanto dos países do G-7. "Isso tem sido consequência do que o País tem executado nos últimos tempos em termos de políticas econômicas."DeterioraçãoFraga disse que a deterioração do ambiente financeiro internacional nos últimos dias agrava o sentimento de aversão ao risco e reforça um comportamento defensivo por parte do investidor, o que não favorece o Brasil. "É mais uma razão para agirmos com disciplina e serenidade. Mas essas coisas não duram para sempre. Do mesmo modo que elas ficam menos favoráveis de vez em quando, elas também passam por fases de euforia. Temos de saber administrar os excessos, tanto de uma ponta como da outra", afirmou Fraga.Indagado pela Agência Estado se o cenário externo negativo poderá afetar a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), Fraga respondeu: "tentamos sempre olhar a trajetória futura da inflação, administrar os choques, tendo flexibilidade, mas sem perder o ponto e abrir mão do compromisso de trazer a inflação para níveis desejados." Fraga ressaltou que "o último indicador de inflação foi muito bom" - ele não especificou qual índice. "As expectativas certamente vão embutir um pouco do impacto da depreciação cambial", afirmou Fraga. "O que é permanente e o que é transitório, são esses fatores que vamos olhar. Não tenho nenhuma idéia preconcebida." Ele explicou que, quando o Copom introduziu o viés de baixa no mês passado, o fez porque entendeu que as condições vinham sendo positivas. "Quero crer que, se a situação acalmar, essa direção se preservará. Vamos ter de conferir", afirmou, ressaltando que o ambiente externo é um elemento a ser considerado pelo Copom na sua próxima reunião, mas não é o único.

Agencia Estado,

11 de julho de 2002 | 17h40

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