Amcham cobra cumprimento do cronograma para Alca

O presidente do Conselho de Administração da Câmara Americana de Comércio de São Paulo (Amcham), Sérgio Haberfeld, cobrou dos governos do continente americano que cumpram o cronograma estabelecido para a assinatura do acordo da Área de Livre Comércio das Américas (Alca), previsto para janeiro de 2005. "Sou defensor do cumprimento de prazos", argumentou, durante a "Conferência Internacional de Comércio Exterior", realizado pelo IBC em São Paulo. "Vejo que algo será assinado. Talvez não os sonhos de alguns e nem os pesadelos de outros", opinou. Segundo ele, a assinatura do acordo não precisará envolver a abertura comercial de todos os setores envolvidos na Alca. "Podemos ter a abertura de alguns setores em cinco anos ou dez anos. Os países não serão obrigados a estarem prontos para a abertura total", sustentou.Haberfeld avaliou a negociação conduzida pelo governo brasileiro com os Estados Unidos da mesma forma como sindicalistas negociam com empresários. "Já fui representante de sindicato patronal e negociei com o pessoal da CUT. Eles usam agora a mesma tática de negociação: esticam a corda ao máximo, e quando está para arrebentar, soltam um pouquinho", citou. Ele avaliou ainda que o Brasil precisa expandir suas exportações principalmente para os mercados desenvolvidos, embora ressalve também ser importante, mas apenas de caráter complementar, acertos com países periféricos, como do continente africano. A coordenadora-geral de Integração Regional do Departamento de Negociações Internacionais do Ministério de Desenvolvimento, Eliane de Souza Fonte, discordou do empresário ao avaliar a possibilidade de a Alca ser concretizada em acordos setoriais e não como um todo. "A Alca tem como princípio que nada está acordado enquanto tudo não estiver acordado, todos os temas", afirmou. Segundo ela, não adianta os empresários desejarem caminhar em alguns setores enquanto outros permanecem estagnados.

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