Douglas Magno/ AFP
Douglas Magno/ AFP

Ameaça de paralisação de caminhoneiros não preocupa governo, que vê movimento pontual

Greve, que está programada para o domingo, é motivada pelo preço do óleo diesel; Infraestrutura diz que CNTRC, um dos organizadores, não é entidade de classe representativa para falar em nome do setor do transporte rodoviário de cargas autônomo

Amanda Pupo, O Estado de S.Paulo

23 de julho de 2021 | 16h24
Atualizado 23 de julho de 2021 | 17h14

BRASÍLIA  - A ameaça de uma nova paralisação de caminhoneiros, programada para ocorrer a partir da meia-noite de domingo, 25, não preocupa o governo federal. Mais uma vez, a avaliação é de que o movimento deve ser apenas pontual, sem que haja uma adesão da categoria, segundo apurou o Estadão/Broadcast. A mobilização é organizada por algumas entidades, com destaque para o Conselho Nacional do Transporte Rodoviário de Cargas (CNTRC).

Em nota, o Ministério da Infraestrutura afirmou que o CNTRC não é entidade de classe representativa para falar em nome do setor do transporte rodoviário de cargas autônomo. “O MInfra reforça a necessidade de entender o caráter difuso e fragmentado de representatividade do setor, seja regionalmente, seja pelo tipo de carga transportada, antes de divulgar qualquer informação referente à categoria”, afirmou a pasta em nota.

Nesta sexta-feira, 23, a ideia da paralisação também ficou mais fragilizada após a Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava) informar que não vai participar do movimento. O presidente da associação, Wallace Landim, conhecido como Chorão, disse que existe um descontentamento grande do segmento, mas que “não há adesão de 100% da categoria neste momento”.

A nova ameaça de greve vem após alguns representantes da classe tentarem organizar uma paralisação no início do ano, que acabou não tendo força. Uma das pautas principais, que se mantém nas mobilizações atuais, foi o preço considerado elevado do óleo diesel. Na ocasião, o diagnóstico do governo foi o mesmo, de que o movimento não teria adesão importante.

Nos bastidores, integrantes do governo avaliam que a greve de 2018, que causou grandes impactos na economia, só foi à frente pela mobilização das empresas de transporte. Sem essas companhias, caminhoneiros autônomos não teriam conseguido paralisar o País.

Na nota divulgada sobre o movimento deste domingo, o Ministério da Infraestrutura afirmou ser necessário entender o “caráter difuso e fragmentado de representatividade do setor”. "Nenhuma associação isolada pode reivindicar para si falar em nome do transportador rodoviário de cargas autônomo e incorrer neste tipo de conclusão compromete qualquer divulgação fidedigna dos fatos referentes à categoria”, disse o ministério.

O presidente da CNTRC, Plínio Dias, disse ao Estadão/Broadcast na última terça-feira, 20, que  a mobilização começa no dia 25 e que a adesão pode crescer na segunda-feira e nos dias subsequentes.

A entidade afirma já ter apresentado 387 ofícios ao governo desde o começo do ano com as reivindicações dos caminhoneiros, como o fim da política de Preço de Paridade de Importação (PPI) da Petrobras para combustíveis, maior fiscalização nas estradas para cumprimento do piso mínimo de frete e a aposentadoria especial para os motoristas. Segundo o representante, a pauta é a mesma da paralisação do início de 2021. “Até o presente momento, o governo e as pastas cabíveis não chamaram para conversar", disse.

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