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Ameaças de bombas abalam a aviação mundial

Terroristas não gastam nada com mensagens ameaçadoras, mas pousar um avião, enchê-lo de cães farejadores e verificar cada passageiro é absurdamente caro

Economist.com, O Estado de S. Paulo

30 de janeiro de 2015 | 18h13


WASHINGTON - Nas semanas mais recentes, as empresas aéreas americanas foram vítimas de um dramático aumento nas ameaças de bomba feitas nas mídias sociais, de acordo com a CNN. Nenhuma bomba foi encontrada, mas como as empresas aéreas e o aparato americano de segurança nos aeroportos tratam cada ameaça com seriedade, numerosos voos foram atrasados, desviados e até cancelados.

Isso representa um grande desafio para a indústria americana das empresas aéreas. Vários dos autores das ameaças de bomba afirmaram ou implicaram ter elos com o EI, o grupo jihadista islâmico que controla atualmente grandes partes do Iraque e da Síria (é difícil verificar independentemente se as alegações são verdadeiras). 

Fazer ameaças com bombas é ilegal, claro. Mas o governo americano não pretende enviar soldados ou até agentes do FBI a regiões perigosas no exterior para deter pessoas fazendo ameaças falsas via Twitter. Ao bombardear as empresas aéreas com ameaças falsas, o EI e seus defensores podem desencadear o caos nos aeroportos americanos.

Talvez essa seja a próxima evolução da guerra assimétrica. Os terroristas não incorrem em nenhum custo para enviar uma mensagem ameaçadora. Mas pousar um avião, enchê-lo de cães farejadores e verificar cada passageiro é absurdamente caro.

Assim como enviar caças F-16 em caráter de emergência para escoltar voos ameaçados - exatamente como ocorreu no dia 17 de janeiro. O custo horário de operação de cada F-16 é de US$ 22.500 de acordo com a força aérea.

Infelizmente, não há resposta fácil para isso. As empresas aéreas e a Administração de Segurança nos Transportes (TSA) precisam levar as ameaças a sério, porque ameaças falsas podem ser usadas para ocultar ataques reais.

Alguns dirão sem dúvida que as próprias empresas de mídia social deveriam agir para evitar o uso de seus serviços por parte de pseudoterroristas. 

Mas identificar os tweets potencialmente ameaçadores e impedir sua publicação seria um desafio tecnológico formidável, e pouco faria para solucionar o problema: sob muitos aspectos, uma ameaça não vista é mais preocupante do que uma ameaça falsa. Será fascinante acompanhar o que Twitter, Facebook, empresas aéreas e TSA vão desenvolver para combater essa nova crise.

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Da Economist.com, traduzido por Augusto Calil, publicado sob licença. O artigo original, em inglês, pode ser encontrado no site www.economist.com 

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