América do Sul pode ter mercado de soja conjunto com China

A América do Sul se aproximou do mercado de futuros da soja que espera estabelecer com a China após realizar quatro seminários com importadores chineses em Pequim, Dalian, Shenzhen e Xangai.Os três mercados de futuros agrários de referência de Brasil (Bolsa Mercantil e de Futuros de São Paulo, BM&F), Argentina (Bolsa de Comércio de Rosário, Rofex) e China (Bolsa de Futuros de Dalian, DCE) esperam conseguir um preço próprio para seu comércio de soja, independente do dos Estados Unidos.Embora a América do Sul já seja o principal fornecedor de soja da China e o gigante asiático seu maior cliente, "hoje um importador chinês utiliza nos contratos uma cláusula de relação com o preço de Chicago", explicou à EFE o presidente da Rofex, Luis Herrera."Esse preço reflete a realidade do mercado interno dos Estados Unidos, e não necessariamente a da América do Sul. Além disso, estamos em períodos de colheita opostos, já que a soja é colhida em meados do outono de cada hemisfério", acrescentou."Os volumes de comércio de soja que hoje são oferecidos por Argentina e Brasil justificam que haja um preço que seja relacionado com a realidade de oferta e as condições climáticas e de área semeada de nossa região", reivindicou, mostrando-se, diante de mais de 150 importadores chineses, "muito otimista" nesse sentido.ObjetivoO objetivo é conseguir uma maior eficiência no comércio, graças a novos instrumentos técnicos que permitam diminuir os riscos, por variações de preços.A América do Sul pretende tornar possível que "os operadores de cada mercado possam participar de qualquer um dos outros dois", de modo que dessa "triangulação" resulte um novo preço de referência que reflita a realidade da soja sul-americana, assinalou o presidente da Bolsa de Comércio de Rosário, Jorge Weskamp, Desta maneira, um contrato pertencerá às três bolsas indistintamente. "Uma delas o administrará, mas as três bolsas poderão operá-lo e participar, para conseguir assim a concentração de volume e a liquidez que este tipo de mercado necessita para ser eficiente", acrescentou Weskamp.Principal compradorO projeto "está voltado para a China como principal comprador, mas se tivermos liquidez suficiente e o mercado cumprir seu objetivo, o preço que começaremos formando com nossos parceiros servirá de referência para o resto dos compradores da soja da América do Sul, como a Índia", acrescentou Herrera.Por esse motivo, "precisamos que (os investidores chineses) nos ajudem a criá-lo, precisamos deles no outro lado do acordo", disse em Xangai o diretor de relações internacionais e governamentais da BM&F, João Lauro Amaral.Ao longo de 2006, brasileiros e argentinos esperam concluir a harmonização de suas respectivas plataformas eletrônicas de negociação, "para que seja transparente para os operadores e indiferente operar em um mercado ou em outro", acrescentou Herrera.

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