América Latina Logística já foi modelo de eficiência no setor

Empresa teve origem com a aquisição de ferrovias estatais sucateadas e teve como primeiro investidor o GP Investimentos

Renée Pereira, O Estado de S. Paulo

12 de abril de 2015 | 23h02

 A mesma ALL que regrediu os níveis de velocidade de sua malha ferroviária ao período “pré-privatização” já foi sinônimo de eficiência no setor. A empresa teve origem, em 1997, com a aquisição de ferrovias estatais sucateadas e teve como primeiro investidor o GP Investimentos, dos criadores da Ambev, Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira. Eles transferiram para a companhia a obsessão por lucro e eficiência que sempre norteou seus negócios e fez com que, em dez anos, a ALL se tornasse a maior operadora logística de trens da América Latina. 

Mas a falta de investimento na malha, por parte da empresa e do governo federal, fez o projeto de “empresa modelo” degringolar. Os primeiros sinais de que algo não ia bem começaram a aparecer quando se tornaram públicas as reclamações de clientes por descumprimento de contratos – o que coincidiu com uma sucessiva troca de presidentes. 

Quem esteve à frente da empresa em seu melhor momento – de 2005 a 2010 – foi o carioca Bernardo Hees, executivo de confiança de Jorge Paulo Lemann. Ele deixou a ALL para virar sócio da 3G Capital, dos mesmos fundadores da Ambev, e assumir o comando global da rede de fast-food Burger King. Hoje ele está à frente da empresa que vai se originar da mega fusão entre a Heinz e a Kraft Foods. 

Desde que Hees saiu da ALL, passaram por lá três presidentes. Paulo Basílio ocupou o cargo por menos de dois anos e foi substituído por Eduardo Pelleissone, que ficou apenas 11 meses e passou o bastão para Alexandre Santoro. Na ocasião, a empresa disse que a troca de executivos era normal. 

Fusão. Santoro ficou na presidência até o início de abril, quando foi substituído por Julio Fontana Neto, presidente da Cosan Logística. Desta vez, a mudança no comando da empresa é clara: faz parte dos ajustes após a fusão com a Rumo, que pertence à Cosan. A união das duas empresas foi anunciada no início de 2014, mas só em fevereiro deste ano teve aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). 

Para levar o negócio adiante, a Cosan teve de enfrentar contestações de acionistas da ALL, entre eles Previ (Fundo de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil), Funcef (da Caixa) e o braço de participação do BNDES (BNDESPar).

A entrada da Cosan na ALL era um sonho antigo do empresário Rubens Ometto, que tem diversificado os negócios do grupo, originalmente formado por operações de açúcar e álcool, para a área de distribuição de combustíveis e infraestrutura. 

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