América Latina não está imune, diz Lagarde

Às vésperas de visitar Peru, México e Brasil, diretora-gerente do FMI faz alerta para eventuais turbulências na região

CIDADE DO MÉXICO, O Estado de S.Paulo

26 de novembro de 2011 | 03h03

A diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, disse que a América Latina não está imune à crise das dívidas europeias e deve se preparar para eventuais turbulências econômicas por meio de políticas fiscais prudentes. As recomendações de Lagarde estavam num artigo publicado ontem no blog da instituição, dias antes de uma viagem da autoridade pela região.

Segundo ela, os países latino-americanos "devem continuar reconstruindo as reservas, inclusive mantendo políticas fiscais prudentes - isso criaria espaço de manobra para o caso de a situação econômica azedar".

Lagarde disse também que a consolidação fiscal não deve ocorrer em detrimento de programas sociais ou investimentos em educação e infraestrutura. "É melhor explorar o escopo de mobilização de mais receita onde os impostos são baixos ou tornar os gastos mais eficientes."

A chefe do FMI vai visitar Peru, México e Brasil nos próximos dias e fará reuniões com as autoridades desses países.

A América Latina teve um desempenho econômico relativamente bom durante a crise financeira, mas no mês passado o FMI cortou a estimativa de crescimento da região e do Caribe em 2012 para 4%, de 4,2% anteriormente. "O crescimento sozinho é apenas o primeiro passo. A região em geral precisa de um crescimento mais inclusivo do ponto de vista social", afirmou Lagarde, acrescentando que historicamente "a desigualdade tem sido o veneno da América Latina".

O FMI, por sua vez, está pronto para prestar apoio e assistência a países com boa gestão macroeconômica, que venham a ser afetados pela crise mundial como meros espectadores, segundo Lagarde.

Recados. No artigo, ela disse que o México precisa implementar reformas estruturais para fomentar o crescimento, que poderia ser mais acelerado se houvesse reformas fiscais, trabalhistas e no setor de energia. Para o Brasil, o principal desafio seria aumentar o nível de poupança doméstica a fim de promover crescimento sustentado.

Lagarde pretende se reunir com o presidente do Peru, Ollanta Humala, na segunda-feira. Na terça-feira, ela viajará para a Cidade do México, onde fará uma reunião com o presidente do banco central do país, Augustin Carstens, e com o presidente mexicano, Felipe Calderón.

Na quinta-feira, Lagarde chegará ao Brasil e deve se reunir com a presidente, Dilma Roussef, com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e com o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini. / DOW JONES NEWSWIRES

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