América Latina tem possibilidade limitada de melhora nos ratings, diz Moody's

Baixo crescimento econômico da região dificulta possibilidade de elevação das notas de crédito dos países, analisa agência de classificação de risco; única exceção é a Jamaica

Lucas Hirata, O Estado de S. Paulo

26 de março de 2015 | 11h11

SÃO PAULO - A agência de classificação de riscos Moody's afirmou em um relatório que o crescimento econômico baixo, em geral, dos países da América Latina deve aumentar os desafios para possíveis elevações de ratings na região. Segundo a entidade, a pressão limitada para um melhora nas notas ilustra "como os ganhos constantes de qualidade de crédito na região acabaram por enquanto".

A Moody's ressalta que quatro entre os 29 países na região da América Latina e Caribe têm perspectivas negativas, incluindo a nota Baa2 do Brasil. As outras nações são Argentina (Caa1), Barbados (B3) e São Vicente e Granadinas (B3). No entanto, apenas um país tem perspectiva positiva: a Jamaica, que possui nota Caa3. Perspectivas mais negativas do que positivas sugerem que há maior possibilidade de rebaixamentos do que elevações no período de 12 a 18 meses, disse a agência. 

De acordo com o analista Renzo Merino, da Moody's, o maior desafio para soberanias na região é lidar com ambiente global menos favorável, que deve prejudicar as perspectivas de crescimento. "Perspectivas de expansão mais baixas manterão a dinâmica na execução de reformas fiscais e econômicas mais essenciais para sustentar uma melhor qualidade de crédito ao longo dos próximos anos", acrescentou.

A Moody's prevê que déficits fiscais mais amplos devem reverter parcialmente os ganhos obtidos nessa área ao longo da última década. No entanto, os níveis de dívida entre os países representam um risco baixo a moderado, e isso não deve aumentar substancialmente em 2015.

Riscos de choques externos são apenas moderados, disse a Moody's, dado o acúmulo de colchões de reservas estrangeiras e o papel que o investimento estrangeiro direto (IED) possui no financiamento de déficits em conta corrente.

"As economias foram expostas a uma série de choques externos e internos durante o período de 2000 a 2014, e a região como um todo exibiu uma resiliência maior do que em décadas anteriores", disse Merino. 

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