Brendan McDermid/Reuters
Brendan McDermid/Reuters

American Airlines deixa de aceitar pesos na Argentina

Medida é mais uma consequência da falta de dólares na economia argentina, aliada à expectativa de mudança no câmbio

Rodrigo Cavalheiro, CORRESPONDENTE, O Estado de S.Paulo

27 de novembro de 2015 | 02h05

BUENOS AIRES - Turistas argentinos que planejaram viajar ao exterior estimulados por sua moeda sobrevalorizada, mas deixaram para comprar pacotes e dólares na última hora, terão dificuldade para sair do país.

A suspensão da venda de passagens em pesos pela American Airlines, anunciada na quarta-feira, é o último episódio de uma sequência de limitações relacionadas à falta de dólares (as reservas do Banco Central estão em US$ 25,8 bilhões) e à indefinição sobre o ritmo da liberação do câmbio segundo promessa do presidente eleito, Mauricio Macri, que assume no dia 10. A American tomou decisão semelhante na Venezuela.

No dia 16, o BC argentino limitou a US$ 50 mil a cota diária que os importadores têm acesso sem necessidade de aprovação. No dia 27 de novembro, já tinha passado de US$ 150 mil para US$ 75 mil. A medida afetou as maiores agências de turismo e as companhias aéreas. Em seu comunicado, a American diz que espera poder trabalhar "com o BC e com o novo governo sobre esse tema".

O representante do site despegar, Francisco Stengel, confirmou ao jornal La Nación que a decisão fez o grupo eliminar o pagamento parcelado de hotéis e pacotes no exterior. Um argentino que reserve pelo site a hospedagem, o aluguel de um carro ou outro serviço deve pagar à vista ou quando chegar ao destino. Antes das medidas, o número de argentinos em viagem para o exterior aumentou 32,9%, comparando setembro deste ano com o mesmo mês de 2014.

Controle. Em 2011, o governo kirchnerista impôs um controle sobre o dólar, que hoje vale 15,20 pesos no mercado paralelo e 9,60 no oficial. Os argentinos precisam da autorização do BC para comprar a divisa. Quando conseguem, guardam para viajar ou fazem a "pedalada", troca no mercado negro, em casas de câmbio apelidadas de "cavernas".

Há incerteza sobre quanto valerá o dólar a partir do dia 11, quando Macri promete terminar com o controle. "Se eu soubesse quanto estará ganharia o Nobel", disse em sua última entrevista antes de ser eleito. Ontem, afirmou que a restrição do acesso à moeda "foi um remendo para um cenário de mentiras insustentáveis". A tentativa de barrar a saída de dólares chegou ao ponto de o BC limitar a quantidade de divisas que outros bancos podem ter e devolver ao mercado entre US$ 1 bilhão e US$ 1,6 bilhão.

Para entender
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O presidente eleito da Argentina, Mauricio Macri, afirmou na quinta-feira que o país terá uma nota de 500 pesos. A oposição sugere há anos a emissão de notas de 200, 500 e até 1.000 pesos. O kirchnerismo nunca aceitou porque seria admitir a inflação - de 14% segundo o governo e 25% para consultorias. Uma nota de 100 pesos (R$ 40) é suficiente para ir ao cinema em um shopping de Buenos Aires. Estima-se que 65% das cédulas em circulação no país sejam de 100 pesos, cujo poder de compra é dos mais baixos do mundo (US$ 10 segundo o câmbio oficial e US$ 6,50 no paralelo).

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