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Americano resiste à temporada de ofertas

Apesar do esforço dos lojistas, clientes não se animam a comprar

Patrícia Campos Mello, O Estadao de S.Paulo

29 de novembro de 2008 | 00h00

Depois de anos carregando a economia nas costas, o consumidor americano jogou a toalha. A crise financeira e o aumento do desemprego levaram muitos americanos a fechar as carteiras, após anos se endividando. Os gastos tiveram queda de 1% no mês passado, pela primeira vez desde os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001. Muitas lojas não tiveram fôlego para chegar até o Natal e já fecharam as portas. A Circuit City, famosa rede de eletrônicos, declarou falência este mês; a Ann Taylor vai fechar 117 lojas; Cache e Talbots vão fechar todas as lojas e sobreviver apenas no catálogo e na internet; a Gap vai fechar 85 lojas; a Footlocker, 140; a Disney, 98; a Macy''s, 9; a Linens and Things e a Sharper Image faliram. "O consumidor está na UTI", diz Howard Davidowitz, presidente da consultoria em varejo Davidowitz Inc. "As únicas lojas que ainda vão bem são as populares, como a Wal-Mart, McDonald?s, Costco e lojas de US$ 1." Nem o segmento de luxo resistiu. As vendas na joalheria Tiffany''s encolheram 6% no terceiro trimestre. Na loja de departamentos Saks Fifth Avenue, caíram 11,5%. O Starbucks, que vende café por US$ 3, fechou 600 filiais. "Como dependemos de gastos supérfluos, esperamos um ano fiscal muito difícil em 2009", diz o relatório do Starbucks. A empresa listava como motivos para a queda no consumo o aumento do desemprego e do endividamento das pessoas, queda no preço dos imóveis e menor acesso ao crédito.Em contrapartida, o faturamento do Wal-Mart subiu 3% no mesmo trimestre. "Os consumidores só estão comprando calça jeans na promoção ou um computador no saldão", diz Davidowitz.Na tentativa de atrair os consumidores cautelosos, as lojas estão dando descontos de até 70%. Há anéis de brilhante por US$ 50, bonecas Hannah Montana por US$ 5, TVs grandes de tela plana por US$ 400. Mas o problema é que as margens de lucro estão minúsculas e muita gente vai perder dinheiro só para reduzir estoque, dizem analistas. Por causa de seu poder de barganha, o Wal Mart está entre os poucos que podem dar descontos sem ter prejuízo. "Não é hora de gastar", diz a funcionária pública Patricia Bulls. "É só olhar em volta. As pessoas estão carregando bem menos sacolas." Este ano, Patricia desistiu de acordar de madrugada para entrar na fila da loja de departamentos Macy''s. "Eles vão continuar baixando o preço porque ninguém está comprando mesmo. Para que acordar tão cedo e enfrentar a multidão?"A sexta-feira depois do dia de Ação de Graças, chamada Black Friday, é o dia mais importante para o comércio dos Estados Unidos. Nesse dia, as pessoas fazem fila às 4 horas da manhã para entrar nas lojas e comprar os produtos em liquidação, em meio a empurrões. O período que vai da ?sexta-feira negra? até o Natal responde por 40% do faturamento do varejo. Em 2008, pela primeira vez em mais de 20 anos, as vendas nesse período devem encolher 4% em relação ao ano anterior. Segundo uma pesquisa do NPD Group, consultoria de varejo e marketing, 26% dos consumidores planejam gastar menos neste ano. "Os consumidores estão focados na idéia de gastar menos", diz Marshal Cohen, analista do NPD Group. "Estou prevendo queda de vendas no fim de ano, pela primeira vez."Até os ricos estão economizando, à maneira deles. Um casal de Nova York - o marido trabalha em um fundo de investimentos e a mulher é fotógrafa - tinham um cartão de crédito que acumulava gastos mensais entre US$ 30 mil a US$ 50 mil com compras supérfluas, como vinhos, roupas e viagens. Agora, limitaram as compras a US$ 25 mil. "Cortamos compras de impulso. Se vejo um vestidinho de US$ 1 mil, penso duas vezes antes de comprar. Também paramos de gastar US$ 500 em restaurantes", diz a fotógrafa.A resistência do consumidor tinha evitado que todas as crises anteriores se transformassem em recessões. Ele continuava comprando, desafiando todas as expectativas. Desta vez é diferente.Os consumidores já estão muito endividados e os cartões de crédito estão aumentando taxas de juros. O Citi, por exemplo, aumentou de 2 a 3 pontos porcentuais as taxas. Muitos bancos estão cortando linhas de crédito e os preços das casas estão em queda livre.A previsão de desemprego para 2009 chega a 10%. Neste ano, a sexta-feira provavelmente não fará jus a seu nome. Ela recebeu esse nome porque era o dia em que os varejistas saíam do vermelho e entravam no azul (ou negro, aqui nos EUA).

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