Americanos cortam gasolina, mas não comida, diz pesquisa

Quase metade dos entrevistados está dirigindo menos, mas apenas 8% passou a consumir menos comida

TIMOTHY GARDNER, REUTERS

21 de maio de 2008 | 10h42

Diante do aumento generalizado de preços, os consumidores norte-americanos estão usando menos gasolina, mas não diminuíram a alimentação, segundo uma pesquisa divulgada nesta quarta-feira. Quase metade dos entrevistados na pesquisa Reuters/Zogby, que ouviu prováveis eleitores na eleição presidencial deste ano, disse estar dirigindo menos para compensar o preço recorde da gasolina, que ronda a marca recorde de 3,80 dólares por galão, segundo a entidade automobilística AAA. Mas só 8 por cento dos 1.076 entrevistados disseram estar comendo menos devido ao aumento no preço dos alimentos. "As pessoas têm mais controle sobre a gasolina. Elas estão dirigindo menos e dirigindo de forma mais inteligente", disse o estatístico John Zogby por telefone. Os dados sobre gastos individuais apóiam as conclusões da pesquisa. Na semana encerrada em 16 de maio, a venda de gasolina no varejo teve queda de quase 7 por cento em comparação com o mesmo período de 2007, segundo a Mastercard Advisors. Desde o começo do ano, a venda de gasolina nos EUA caiu 1,4 por cento em relação ao mesmo período do ano passado, de acordo com as cifras calculadas a partir das vendas com o cartão de crédito Mastercard. De acordo com Zogby, os consumidores estão impressionados com o fato de a gasolina já ter em alguns momentos superado os 4 dólares por galão. "As pessoas vinham dizendo que quando o preço chegasse a 4 dólares elas iriam ajustar seu estilo de vida, e reduzir o uso do automóvel é uma forma pela qual estão fazendo isso", disse ele. Mas apenas 15 por cento dos entrevistados disseram estar comendo menos por causa do preço da comida. Um outro grupo de tamanho equivalente disse estar usando cupons alimentares para cobrir os gastos. Por outro lado, quase um terço dos entrevistados diz estar absorvendo os aumentos alimentícios sem mudança de hábitos. Só 18 por cento conseguem absorver o aumento da gasolina sem mudar os hábitos. Os analistas dizem que uma possível consequência dos aumentos --tanto dos alimentos quanto da gasolina-- seria a expansão de hipermercados como o WalMart, que atrairiam os clientes por seus preços e proximidade. Para Zogby, não exigir que o consumidor queime tanta gasolina "pode ser algo maior do que apenas adotar preços (baixos); pode ser uma mudança dramática na forma como consumimos em longo prazo". Mas as grandes redes varejistas também enfrentam problemas. O WalMart fez uma previsão sombria para os resultados de maio, refletindo o desaquecimento econômico generalizado nos EUA. Um sinal preocupante é que um pequeno segmento de consumidores está reagindo aos aumentos de preços colocando todas as compras no cartão. Mais de 5 por cento dos entrevistados disseram ter aumentado seu endividamento pessoal para arcar com os custos energéticos, e um pouco menos de 5 por cento disseram ter feito isso para comprar alimentos. "Obviamente preocupa. Porque, se continuar, significa simplesmente que as pessoas não estão ganhando o suficiente para viver", disse Zogby.

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