Americanos escolhem exercer paternidade após aposentadoria

Em vez de viajar, fazer cursos ou simplesmente descansar, idosos nos Estados Unidos optam por adotar uma criança

PHYLLIS KORKKI , THE NEW YORK TIMES, O Estado de S.Paulo

16 de maio de 2013 | 02h10

Chegou a hora da aposentadoria? Se para muita gente é o momento ideal para viajar, fazer cursos ou simplesmente relaxar, há um grupo corajoso de idosos americanos que escolheu uma outra forma de passar o tempo na velhice: começar uma (nova) família.

Alguns desses pais idosos são casais que se sentem sozinhos após seus filhos saírem de casa para viverem suas próprias vidas. Outros são pais ou parentes mais velhos de trabalhadores que não conseguem cuidar de seus próprios filhos. E ainda há um grupo de pessoas que não tiveram filhos antes e finalmente se veem com o dinheiro, a disposição e o tempo para fazer uma tentativa. Entre idosos, a tendência é adoção de crianças mais velhas e com necessidades especiais - é raro que um idoso adote um bebê de poucos meses de vida.

"Sempre pensei que aposentados deveriam adotar em vez de jogar golfe", diz Rebecca Gawboy, 60 anos, que toma conta de 12 crianças adotadas ao lado do marido Jim, de 76 anos. Eles vivem em uma casa de nove quartos em uma fazenda no Estado de Minnesota.

Tanto Rebecca quanto Jim estão no segundo casamento. Eles têm filhos de casamentos anteriores e, juntos, contabilizam 11 netos. "Tive pais mais velhos e uma infância maravilhosa", lembra Rebecca. Ela diz que a experiência foi um "presente" que ela sempre pensou em retribuir.

O casal Gawboy adotou sua primeira criança em 2003. Hoje, tem 12 filhos adotivos no total. "Nós nos surpreendemos que nos autorizassem a adotar tantas crianças", lembra Rebecca. No entanto, ela ressalta que, dez anos depois, ambos gozam de boa saúde.

Nenhuma organização americana contabiliza a idade dos pais adotivos. Mas representantes de várias entidades pró-adoção afirmam que há um aumento do interesse entre adultos mais velhos. Para Chuck Johnson, presidente do Conselho Nacional de Adoção, os limites de idade para adoção têm sido cada vez mais elevados, o que significa que um maior número de pessoas está qualificada. Com o aumento da expectativa de vida, a tendência é de que este tipo de arranjo familiar se torne cada vez mais comum.

Novas famílias. Os idosos são o mais novo grupo que expande a definição do que é um lar saudável - nos últimos anos, a adoção por solteiros e por homossexuais também se tornou mais comum. "As crianças são muito mais felizes tendo sua própria família do que em casas de cuidados temporários", afirma Adam Peterman, diretor executivo do Instituto Donaldson de Adoção, uma organização não-governamental, e autor do livro Adoption Nation.

"As pessoas que conseguem adotar uma criança estão aptas para isso, já que são sabatinadas antes da aprovação", diz Peterman. Pais em potencial precisam passar por uma checagem de antecedentes e participar de um estudo em que um assistente social observa a família antes de a adoção ocorrer de fato.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.