Amorim: 'Brasil não pode se curvar aos EUA'

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, afirmou nesta tarde que o Brasil não prefere a via da retaliação, no caso da controvérsia na Organização Mundial do Comércio (OMC) sobre os subsídios norte-americanos aos produtores de algodão, mas "não pode se curvar simplesmente porque os Estados Unidos são um país forte."

DENISE CHRISPIM MARIN, Agencia Estado

11 de fevereiro de 2010 | 17h11

Amorim lembrou que a controvérsia sobre os subsídios americanos ao algodão foi um caso que se estendeu por sete anos. "A lei internacional se aplica aos pequenos e aos grandes", afirmou. Segundo o chanceler, a única maneira de o Brasil suspender a aplicação das retaliações contra os Estados Unidos seria uma "mudança efetiva de política, que elimine a causa da sanção autorizada pela OMC." Isso significa a eliminação dos subsídios, condenados pela organização em função da controvérsia aberta pelo Brasil.

Medidas paliativas não serão aceitas pelo governo brasileiro, ressaltou Amorim. Entre elas, mencionou uma eventual oferta dos EUA de compensação em favor de outro setor produtivo brasileiro e uma redução parcial dos subsídios ao algodão, com a intenção de impedir o Brasil de aplicar a retaliação sobre propriedade intelectual.

Questionado sobre a possibilidade de os EUA contrarretaliarem o Brasil, Amorim reagiu dizendo que não chegou a receber uma declaração nesse sentido. A menção foi feita na semana passada pelo novo embaixador dos EUA no Brasil, Thomas Shannon. "Se eu tivesse ouvido, eu teria dito que isso não faz sentido, porque a retaliação é autorizada pela OMC. A contrarretaliação seria ilegal", completou.

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