Amorim confirma intenção de diálogo

Para ministro, Brasil tem boa vontade, sentido de justiça e realismo para debater a questão de Itaipu

Luciana Nunes Leal, O Estadao de S.Paulo

24 de abril de 2008 | 00h00

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, confirmou ontem a intenção do governo brasileiro de dialogar com o presidente eleito do Paraguai, Fernando Lugo, sobre a energia produzida pela usina hidrelétrica de Itaipu. "Há boa vontade (do Brasil), há sentido de justiça e, ao mesmo tempo, há realismo. Vamos ter que combinar todas as coisas."Celso Amorim fez as declarações em conversa com jornalistas no Palácio do Planalto, onde assistiu à cerimônia de comemoração do 35º aniversário da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), que teve a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.Ao explicar as declarações em que admitiu aumento da remuneração do Paraguai, o chanceler voltou a afirmar que jamais falou em alterações no Tratado de Itaipu nem em elevação de tarifas. "Usei o termo ?preço? no sentido de compensação financeira por um serviço prestado, mas ainda não conversei com nenhuma autoridade paraguaia desde a vitória de Fernando Lugo", disse Amorim . Na segunda-feira, numa entrevista em Acra (Gana), o chanceler disse que o objetivo das futuras negociações é saber como o Paraguai "pode obter uma remuneração adequada para a sua energia", sem que seja alterado o Tratado de Itaipu. Na ocasião, o ministro acrescentou: "Devemos fazer com que o Paraguai obtenha o máximo de benefício em função da sociedade que eles têm conosco em Itaipu". PESSOAS PRÓXIMASOntem, no Palácio do Planalto, o chanceler brasileiro comparou as relações entre Brasil e Paraguai a um relacionamento entre pessoas próximas: "A vida é assim. As pessoas querem o que os outros não podem oferecer, e a gente se encontra em algum lugar. Na relação internacional, como na relação entre as pessoas, todos ganham e todos cedem".Amorim disse que o futuro governo Lugo "tem compromisso com o povo paraguaio" e, por outro lado, o governo brasileiro "não vai renegar a boa relação que teve com o governo Nicanor Duarte", atual presidente do Paraguai.

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