Amorim continua acreditando em acordo na OMC

O chanceler Celso Amorim se mostrou confiante sobre a possibilidade de a Organização Mundial do Comércio (OMC) concluir um acordo de base sobre a liberalização dos mercados. "Estamos no caminho certo", afirmou Amorim, que passou mais de 12 horas negociando um entendimento entre os cinco principais países da entidade Estados Unidos, União Européia, Índia e Austrália, além do próprio Brasil.A aproximação entre esses atores possibilitará que a OMC redija um novo rascunho de um acordo. A elaboração do acordo estava prevista para ocorrer na manhã de hoje, mas atrasos nas consultas entre os países acabarão impedindo que o novo texto seja divulgado antes da meia-noite de hoje. Se isso de fato ocorrer, os países da OMC terão menos de 24 horas para avaliar, consultar e aprovar o acordo final.Texto em aprovaçãoPela percepção do G-20 (grupo de países emergentes), o texto que estava sobre a mesa até ontem favorecia a Europa, que tinha garantido pelo rascunho do acordo que poderia escolher o produto que desejasse para manter em um sistema de cotas e com tarifas altas. A proposta não agradava nem ao Brasil, exportador de produtos agrícolas, nem a países como a Índia, interessados em proteger sua agricultura de subsistência. Um entendimento inicial apontou que o parágrafo sobre esses produtos deveria ser enfraquecido e que qualquer especificidade sobre o tema seria tratada em uma segunda fase das negociações, a partir de setembro.Na noite de ontem, Tim Grosser, presidente das negociações agrícolas, confirmou que o novo texto refletirá tanto a posição dos países desenvolvidos como dos países em desenvolvimento no que se refere aos produtos sensíveis. SubsídiosBrasil e Austrália também foram favorecidos por um outro entendimento sobre certos mecanismos de apoio dos governos à agricultura. Preliminarmente, alguns subsídios sofreriam limitações, reduzindo as distorções nos mercados internacionais. A dúvida que permanece é como o acordo final irá traduzir esse ponto. Grosser também reconheceu que "sinais" foram emitidos de que o capítulo sobre subsídios a exportação poderia ser fechado. Os europeus condicionavam um compromisso em acabar com esses subsídios a uma garantia dos americanos de que iriam regular temas como créditos a exportação. Informações ontem apontavam que Washington teria aceitado, durante a reunião, reavaliar esse mecanismo por meio de regras, o que seria suficiente para que os europeus mantivessem seu compromisso. Já quanto ao apoio doméstico dado pelos americanos na forma de programas anticíclicos, negociadores deixaram a sala de reuniões otimistas em relação à posição "realista" de Zoellick, ainda que ninguém se atreva a dizer como é que o novo texto do acordo traduzirá os sinais da Casa Branca.

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