Amorim convoca G-20 para discutir negociações na OMC

O chanceler Celso Amorim convoca uma reunião de ministros do G-20 (grupo de países emergentes) para o dia 29 deste mês, em Genebra. O objetivo será o de debater a estratégia do bloco em um momento crítico das negociações da Organização Mundial do Comércio (OMC). O Itamaraty quer aproveitar que vários ministros do grupo estarão no Fórum Econômico de Davos, no final do mês, para reuni-los após o evento. O encontro será o primeiro do ano e ocorre em um momento em que os Estados Unidos tentam transferir para o grupo parte da responsabilidade por um relançamento do processo. As negociações da OMC estão paralisadas desde julho de 2006, quando americanos, europeus, indianos e brasileiros não conseguiram chegar a um acordo sobre como deveria ocorrer a liberalização agrícola. Na época, tanto a Europa como o Brasil deixaram claro que a responsabilidade do fracasso era dos Estados Unidos, que deveria ter apresentado uma oferta de cortes de subsídios maior.Agora, sem a possibilidade aparente de apresentar uma proposta que poderia destravar a paralisia, Washington começa pressionar outros países por concessões. A Casa Branca insiste que o G-20 precisa apresentar uma posição conjunta sobre como pretende proteger seus setores mais vulneráveis na agricultura. O Brasil não teria problemas com uma liberalização, mas o bloco de países emergentes também conta com a Índia, Indonésia e outros importadores de alimentos que não querem promover um corte substancial de suas tarifas. Para os americanos, não há como cortar seus subsídios se não conseguirem compensar essas perdas com maior acesso aos mercados, seja da Europa como dos países emergentes. Amorim e os representantes da Índia, porém, também deverão ser pressionados pelos demais países do G-20 a revelar o que vêm conversando com o governo dos Estados Unidos e da Comissão Européia em diversos encontros nos últimos meses. O Brasil participou de reuniões privadas com Washington e Bruxelas para tentar destravar o processo e propostas foram feitas. "O que ninguém sabe é se Brasil e Índia falaram em nome do G-20 ou se negociavam em seu próprio nome", afirmou um diplomata asiático.

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