Amorim: crise ajudaria Doha se política fosse racional

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, entende que a crise mundial de alimentos deveria facilitar um acordo na Rodada Doha, da Organização Mundial de Comércio, "se os políticos fossem racionais". Ele afirmou que "os subsídios impedem a produção de países mais pobres". De acordo com ele, no longo prazo isso diminui a produção. Amorim citou como exemplo que "o Haiti foi convencido pelo FMI (Fundo Monetário Internacional) a parar de produzir arroz". Segundo Amorim, o país passou a comprar arroz subsidiado porque era mais barato. Agora, os preços subiram e o Haiti não produz mais arroz. Ele afirmou, também, que "o presidente Lula é racional e os dos Mercosul também; não posso falar pelos outros". Segundo Amorim, os subsídios são a principal dificuldade para avançar na Rodada Doha e o texto que está sendo discutido como base na Rodada é impreciso, permitindo cálculos variáveis para os que considera "distorsivos" entre US$ 13 bilhões e US$ 16,5 bilhões. Amorim disse ainda que a possibilidade de incluir mais produtos na relação dos itens sensíveis, que podem ser objeto de cotas, abre "uma caixa-preta na OMC". Amorim participou de reunião hoje com o chanceler da Argentina, Jorge Taiana, e os vice-ministros de Relações Exteriores do Uruguai, Pedro Vaz, e do Paraguai, Didier Olmedo.

ADRIANA CHIARINI, Agencia Estado

14 de julho de 2008 | 18h56

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