Amorim: crise e eleição americana podem acelerar Doha

A crise financeira e as eleições nos Estados Unidos podem contribuir para a aceleração da Rodada Doha de negociações comerciais, disse hoje o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, sem exibir, no entanto, o otimismo demonstrado pela negociadora americana, Susan Schwab. Amanhã ele almoçará com cerca de 20 dos principais negociadores, num encontro organizado pela ministra suíça do Comércio, Doris Leuthard.Schwab, o comissário de Comércio da União Européia, Peter Mandelson, e o diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Pascal Lamy, estarão presentes. O Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, é um lugar para conversar, não para negociar e decidir, ressalvou o ministro brasileiro, mas o encontro, segundo ele, poderá servir para algumas definições políticas.Os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001 foram um grande estímulo para o lançamento da Rodada, no fim daquele ano, lembrou Amorim. As dificuldades atuais não são comparáveis com o 11 de setembro, disse o ministro, mas podem estimular as negociações."A crise financeira aumenta o risco de protecionismo", admitiu Amorim, concordando com a observação formulada horas antes, no Fórum, pelo primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown. "O remédio chama-se liberalização e começa com a eliminação de subsídios", disse o chanceler. "Quando estamos com febre é mais difícil tomar o remédio, mas é quando ele é mais necessário".EUAAlém disso, lembrou o chanceler, o presidente George W. Bush tem interesse político em concluir a Rodada Doha, lançada há seis anos, em seu primeiro mandato. Susan Schwab e Peter Mandelson haviam usado argumentos semelhantes na quarta-feira passada, expressando a disposição de retomar as negociações. "Fico satisfeito", disse Amorim, "ao saber que Susan Schwab e Mandelson dizem estar preparados."

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.