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Amorim discute proposta de G-20 e Alca com Zoellick

Ao final de um encontro as portas fechadas, que durou uma hora e meia e terminou às 21 horas de ontem (horario local), o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, transmitiu ao representante comercial dos Estados Unidos, Robert Zoellick, um recado direto: ?Não será possível avançar nas negociações durante a 5º Reunião Ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC), que começa oficialmente hoje, se as conversas partirem de um texto que é muito próximo daquele elaborado em conjunto pelos Estados Unidos e pela União Européia e que seja imposto como base única para negociação?. Essa, aliás, foi a posição fechada ontem à tarde pelo G-20, grupo de países em desenvolvimento que reivindicam melhores condições de acesso ao mercado mundial, especialmente na questão agrícola. O G-20, que reúne países como Brasil, Argentina, China, México, África do Sul e que soma agora 21 com a adesão, ontem, do Egito, quer a eliminação total dos subsídios agrícolas. "Obviamente, partimos (eu e o Zoellick) de visões diferentes do processo, mas estamos conversando. Temos de sair de uma perspectiva de que as coisas são preto ou branco, mas que estamos dispostos a conversar. Agora, não vamos poder avançar - e isso nao é nem uma posição somente do Brasil ou até de todo o G-20, mas agora é algo mais amplo do que isso - se partirmos de um texto que é muito próximo da União Européia e dos Estados Unidos e que seja imposto como base única da negociação", afirmou Amorim em entrevista exclusiva à Agência Estado ao sair da reunião fechada com Zoellick. Apesar das diferenças, Amorim classicou o encontro como "uma boa troca de idéias". Os Estados Unidos e a União Européia nao aceitam a proposta do G-20 de eliminação completa dos subsídios agrícolas. Zoellick continuou defendendo, durante o encontro de ontem à noite com Amorim, o último compromisso de sua agenda de terça-feira, que seja adotado como base para as negociações da Rodada de Doha, cuja conclusão está prevista para dezembro de 2004, um texto apoiado pelo presidente do Conselho Geral da OMC, Carlos Perez del Castillo, no qual limita a eliminação dos subsídios pelos países ricos apenas alguns produtos agrícolas, ainda não definidos, que sejam importantes para os países em desenvolvimento. "Não dá para avançar com base apenas neste texto. Agora, qual é a forma que vamos negociar, isto é, se vamos negociar com base em mais de um texto, são coisas que têm que ser vistas ainda. Mas é importante a compreensão de que não se pode partir para negociar com base naquele texto que é muito proximo do que defendem a União Européia e Estados Unidos", explicou Amorim. Isso porque, salientou o ministro brasileiro, é preciso encontrar uma estratégia de negociação que propicie uma sensação de participação de todos os países envolvidos. "Isso não significa aceitar uma proposta somente porque ela é endossada pelo presidente do Conselho Geral da OMC. Nao é apenas uma questão de conteúdo mas também de participação", destacou Amorim. Ele avaliou como positivo o seu primeiro dia de trabalho em Cancún, quando teve reuniões também com o comissário da União Européia para o Comércio, Pascal Lamy, e com ministros de paises do G-20. "Foi uma dia bom, sobretudo pela demonstração de unidade do G-20, que agora é 21, e essa unidade é uma coisa historica, ou seja, que possamos tratar os problemas centrais para os países em desenvolvimento, como a agricultura, de forma unificada. Contudo, temos um caminho longo a percorrer e o tempo é curto", ressaltou Amorim. Alem da questão pricipal de subsídios agrícolas, Amorim disse que discutiu com Zoellick temas relacionados a Área de Livre Comércio das Américas (Alca). "Até porque dividimos a presidência da Alca neste momento", ressaltou Amorim. Segundo ele, o Brasil teve uma resposta positiva de Zoellick de começar as negociações sobre acesso de mercado no âmbito da Alca.

Agencia Estado,

10 de setembro de 2003 | 11h37

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