Amorim diz não haver retaliação do Brasil ao Equador

A solução parcial do conflito entre o Brasil e o Equador, no início deste ano, não foi suficiente para o resgate da plena confiança do governo brasileiro. Em visita ao Brasil, hoje, o chanceler equatoriano, Fander Falconí, não conseguiu extrair do Itamaraty nenhum acordo bilateral nem restabelecer o acesso indireto de seu país às linhas de financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), hoje abertas a todos os países sul-americanos. Ao ser questionado pela imprensa, Falconí permaneceu mudo. Diplomaticamente, Amorim tratou de alegar que, oficialmente, não há nenhuma retaliação do Brasil ao Equador. Mas acabou admitindo que as relações financeiras bilaterais não voltaram ao normal.

DENISE CHRISPIM MARIN, Agencia Estado

24 de agosto de 2009 | 19h43

"Não há nenhuma portaria ou decreto, nenhum decisão formal de suspender (os financiamentos ao Equador). Mas, que eu saiba, não há nenhum financiamento sendo considerado", afirmou Amorim. "Queremos que as relações (financeiras) sejam normais. Gostaríamos que fossem retomadas rapidamente, mas o BNDES toma suas cautelas em caso de empréstimos internacionais e tem de levar em conta a adimplência e a inadimplência. Temos de esperar e ver", completou.

O imbróglio entre Brasil e Equador ainda está sobre a mesa da Comissão de Comércio Internacional, em Paris. Trata-se do organismo de arbitragem ao qual o governo equatoriano submeteu no ano passado, sem o cuidado de antes avisar o Brasil, um questionamento sobre sua dívida de US$ 243 milhões com o BNDES. Esse valor corresponde às exportações brasileiras de bens e serviços destinados às obras da hidrelétrica de San Francisco, conduzida pela Odebrecht. Meses antes, a companhia brasileira havia sido expulsa do Equador.

Segundo o Itamaraty, enquanto espera o resultado da arbitragem, o governo equatoriano efetua o pagamento das parcelas trimestrais da dívida em dia. Com isso, o Equador evita tornar-se inadimplente com todo o sistema do Convênio de Créditos Recíprocos (CCR), que permite a 12 países latino-americanos o acesso a linhas de financiamento à exportação com custos menores.

No último dia 10, a tensão nas relações bilaterais pôde ser observada em Quito, no Equador. Ao final da reunião de cúpula da União de Nações Sul-americanas (Unasul), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva desistiu da programação seguinte: a posse do presidente equatoriano, Rafael Correa, em seu segundo mandato. De 1997 ao início deste ano, o BNDES havia desembolsado um total de US$ 693 milhões em financiamento a exportações destinadas ao Equador - a maioria delas relacionada com obras de infraestrutura, como as hidrelétricas de San Francisco e de Toachi-Pilatón e do Aeroporto de Tena.

Tudo o que sabemos sobre:
créditoBNDESEquador

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.