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Amorim diz que Brasil pode socorrer Argentina com gás

Segundo chanceler, porém, o País, não pode, inicialmente, ceder combustível que recebe da Bolívia

Marina Guimarães, da Agência Estado,

20 de fevereiro de 2008 | 19h59

O chanceler Celso Amorim afirmou nesta quarta-feira, 20, que se a Argentina necessitar da ajuda do Brasil para suprir suas demandas de gás, o País está disposto a ceder uma parte dos 31 milhões de metros cúbicos diários do gás que compra da Bolívia. "Se houver necessidade da Argentina e disponibilidade do Brasil, é claro que vamos ajudar como já fizemos em vezes anteriores", afirmou à Agência Estado, em Buenos Aires, onde participa da reunião entre os países da América do Sul e da Liga Árabe. Amorim esclareceu que "o Brasil não pode, a priori, ceder o gás que compra, mas isso não quer dizer que a gente não possa socorrer a Argentina". No início desta semana, Amorim disse que o Brasil não cederia seu gás à Argentina para compensar a falta de cumprimento do contrato que a Bolívia possui com aquele país de enviar diariamente entre 5 a 7,7 milhões de m³. O assunto será discutido neste sábado entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva, Cristina Fernández de Kirchner e Evo Morales.  Na entrevista à AE, Amorim disse ainda que o Brasil também está disposto a ajudar a Argentina a reduzir o seu déficit comercial de mais de US$ 4 bilhões com o Brasil. "Para isso, já estamos trabalhando com o BNDES e com mais investimentos nas cadeias produtivas, mas isso não se resolve de um dia para o outro",afirmou. Segundo o chanceler brasileiro, "o comércio mundial é cheio de déficit e superávit e esse movimento vai mudando. No caso da Argentina, suas exportações ao Brasil crescem muito mais rápido do que as importações e vai chegar um momento em que haverá um equilíbrio". O importante, continuou Amorim, é que "há disposição grande de trabalharmos juntos, em joint ventures e com o apoio do BNDES, mas tudo isso leva tempo. A vontade política existe e ajuda, mas não resolve tudo, precisa de tempo e de trabalho e isso estamos fazendo".  Sobre a reunião para aproximar as regiões da América do Sul e da Liga Árabe, Amorim ressaltou que "está sendo muito produtiva porque estamos começando a dar um impulso enorme para a integração". Ele lembrou que o comércio do Brasil com a região está crescendo muito e "aumentou de US$ 5 para US$ 13 bilhões em cinco anos e vai crescer mais". Também informou que na declaração final da reunião "há um forte capítulo condenando o terrorismo e prevendo o fortalecimento da cooperação das duas regiões para prevenir e combater o terrorismo". O Secretário da Liga Árabe, Amro Moussad, disse à AE que "espera realizar grandes negócios com a região" e que "as expectativas da integração são as melhores". Neste sentido, Moussad elogiou "a iniciativa do presidente Lula" de impulsionar essa integração. "Estou muito feliz. A reunião foi muito boa, os negócios estão aumentando e as relações também", concluiu.

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