Amorim diz que Mercosul está cada vez mais forte

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, não vê conflitos, crises nem debilidade no Mercosul. Alheio aos dilemas enfrentados pelo bloco econômico, o chanceler brasileiro insistiu em entrevistas na quarta-feira, no hotel, e nesta quinta ao programa Bom Dia Brasil, da TV Globo, que o Mercosul é uma "realidade política inevitável" e "essencial" para todos os seus sócios. Com relação à entrada da Venezuela no Mercosul, e das desconfianças de analistas em relação às influências de Hugo Chávez dentro do bloco, Amorim disse que "não se faz política com medo". "Política se faz com visão, com sentido de realismo", afirmou. "Eu não vou fazer juízo de valor sobre todos os aspectos do governo Hugo Chávez. Isso não me cabe. Agora, qualquer que seja o ponto de vista, uma coisa é certa: o engajamento é sempre melhor que o isolamento. Nós temos exemplos de políticas de isolamento, que deram totalmente errado", ponderou. "Confiando nas instituições do Brasil, eu acho que é mais fácil o Brasil influenciar a Venezuela do que vice-versa".Amorim defendeu ainda que na negociação do possível ingresso da Bolívia, esse país deve receber um tratamento diferenciado dos demais sócios do Mercosul."Na realidade, o Mercosul está cada vez mais forte, está cada vez mais importante no mundo", argumentou o ministro, em entrevista concedida na quarta à noite na porta do hotel onde ocorrerá a 32ª Reunião de Cúpula do Mercosul, nesta quinta e sexta-feira , na praia de Copacabana. "O Brasil pode negociar sozinho (um acordo comercial) com a China. Mas, junto com o Mercosul, terá mais força. Essa lógica vale para os outros sócios", defendeu. Para Amorim, a Cúpula do Rio será um dos mais importantes encontros da história do Mercosul e uma demonstração da "vitalidade" do bloco. A rigor, o chanceler não poderia dar declarações diferentes, levando-se em conta que o Brasil preside o bloco desde julho passado e que a aposta na ampliação da dimensão política do Mercosul está entre as prioridades do governo Luiz Inácio Lula da Silva. O ministro, entretanto, insistiu na receita da generosidade entre os sócios, que "devem agir com grandeza" e "deixar de criar dificuldades para ganhar mais adiante".O ministro reagiu às críticas de que o bloco possa limitar o Brasil nos acordos comerciais com outros países. "O Mercosul não é um projeto só economicista. Nós temos um interesse geopolítico na estabilidade da América do Sul. O Brasil tem que ter relações fortes com seus vizinhos, 10 vizinhos na América do Sul. Por isso é que tratamos o Mercosul não exclusivamente sob o ângulo comercial, mas também sob um ângulo político. Eu acho que se nós não entendermos, não virmos o Mercosul sob esse ângulo, não vamos entender nada", disse.RooseveltO ministro Amorim fez mais uma defesa veemente da legitimidade das medidas políticas anunciadas na semana passada pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez. Ele comparou a proposta de Chávez de aprovar, na Assembléia Nacional, uma medida que lhe permita concorrer ilimitadas vezes à eleição com o modelo adotado pelos Estados Unidos até a morte do ex-presidente Franklin Delano Roosevelt, em 1945. Roosevelt foi eleito presidente em 1936 e reeleito mais três vezes. "Não sei se os Estados Unidos eram uma democracia antes", ironizou.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.